OPINIÃO DA FOLHA
Elementos de desagregação
O Brasil vive um ano atípico, porque o da Copa do Mundo e o da eleição presidencial. Cinco pré-candidatos disputam até o momento o cargo máximo da República e 23 jogadores são aspirantes à consagração na maior disputa futebolística mundial. A tradição atesta que, em ocasiões como esta, interessa aos brasileiros mais a Copa que a eleição, mais o grupo eleito pelo técnico da Seleção do que a performance dos postulantes à Presidência, e mais a não-escalação de Romário do que o novo escândalo que envolve a esfera governamental e arranha a imagem da candidatura oficial. Para o técnico, o jogador Romário era o elemento desagregador, porque destoava do conjunto ao não obedecer com rigor às determinações do comando.
Prós e contras à parte, convivemos também na vida pública com um fator semelhante, que é o poderoso ministro que manda e desmanda e desagrega não o comando porque lhe é favorável mas toda a galera representada pelos 170 milhões de brasileiros. Se o jogador não convocado conta com respeitável legião de defensores, o mesmo não se dá com aquela eminência governamental, que joga em todas as posições, impõe as regras, mina a ação do restante da equipe, não produz rendimento e frustra toda a imensa torcida.
Já se contam os dias para a desmanche dessa estrutura, a ponto de a nação ficar na expectativa não de quem será eleito para a sucessão governamental e sim do apagar das luzes do regime imperante. É o triste ocaso de um sistema que contemplou o monetarismo e a especulação de aplicadores externos, em prejuízo do desenvolvimento econômico e social, e cujas consequências estão visíveis na retração, no desemprego e na violência. Se um Brasil paralelo avança é porque não esmorece no trabalho, e não por mérito governamental.





