OPINIÃO DA FOLHA
Qualquer que seja o resultado da eleição de hoje, para escolha do novo reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a instituição ficará em mãos da esquerda. Nem um milímetro separa, entre si, os três candidatos, quanto à linha ideológica. Não há portanto oposição, mas uma chapa única tripartida. A diretriz já está eleita, só faltando definir qual dos postulantes a colocará em prática. É a primeira vez na história da UEL que o fenômeno ocorre. Estão aptos a votar 20.300 eleitores, um colégio eleitoral que suplanta, em número, os da maioria dos municípios paranaense.
Foi em época de regime idêntico no comando da Universidade que correntes ligadas ao mesmo pensamento dos postulantes de agora idealizaram e promoveram uma prolongada greve, que quase inviabilizou a instituição. Era um punhado de militantes que agia na clandestinidade e inviabilizava qualquer ação da reitoria. Entre esses líderes estava um dos atuais candidatos, que não era reitor de direito mas reitor de fato e que detinha grande poder político. Os outros dois candidatos não pertenciam aos quadros da militância na UEL, mas destes, um deles figura entre os capitães da recente greve nas Universidades públicas do Estado e que durou seis meses, e o outro foi sempre apoiador das ações do gênero.
Estes são apenas registros históricos, sem o propósito de lançar dúvidas sobre o desempenho que o eleito terá no comando da UEL. Não falta a nenhum dos três competência intelectual, acreditando-se que, qualquer que se eleja, dará prioridade à excelência do ensino, que é o que os universitários e a comunidade desejam e esperam. Já passaram pela instituição que é um dos mais preciosos patrimônios regionais reitores de diferentes ideologias, e nem por isso a Universidade deixou de enfrentar problemas, mas também não deixou de fazer avanços.
No Brasil, as esquerdas vieram ganhando espaço nos governos estaduais e nas prefeituras Londrina incluída e neste momento o candidato mais cotado na pesquisa eleitoral, para a presidência da República, pertence também a essa vertente político-ideológica. O pleito da UEL segue a mesma linha, sabendo-se que a esquerda já é a vencedora. Um dos três candidatos deixará de ser pedra e será vidraça; deixará a platéia e subirá ao palco, para ser doravante o alvo da oposição. Resta à direita ir se preparando para exercer, agora, a vigilância.





