Durante os oito anos do atual governo federal, um homem mandou e desmandou, neste país, muito mais que o próprio presidente da República. O homem é Pedro Malan, ministro da Fazenda, que é quem traça os rumos da política econômica, e a reboque de suas decisões marcham o presidente do Banco Central e por extensão toda a dinâmica governamental. O presidente Fernando Henrique Cardoso, um intelectual que domina muitas teorias, documentadas em seus livros, compartilha das idéias de seu superministro, ou não o conservaria durante tanto tempo. Um tempo prestes a se encerrar – faltam 257 dias – mas um período ainda longo e que possibilitará ao Governo muitos cometimentos, prejudiciais à vida nacional.
O poderoso ministro agora aumenta o Imposto Sobre Operações Financeiras, para compensar as perdas pelo atraso na aprovação, pelo Congresso, da renovação da CPMF. É como uma vingança de Malan, que não pára por aí e quer elevar também outros encargos, como as contribuições sociais, estas que ficam inteiras para o governo federal, porque não são divididas com os Estados. Esses aumentos recaem diretamente sobre a atividade produtiva e provocam mais retração econômica, porque descapitalizam ainda mais as empresas. O governo nunca se aperta, porque se escasseia a arrecadação em algum setor, cria um tributo novo ou aumenta os que existem, pouco se importando com os estragos que essas medidas provocam nos setores da produção, que são os sustentadores do emprego e da melhoria da qualidade social.
Agora patrões e empregados mais uma vez se unem, para protestar contra a nova investida governamental, que constitui uma verdadeira afronta e uma provocação aos cidadãos, sob o argumento de que o governo cumpre o que foi negociado com o FMI. Mas uma reforma fiscal, que atenderia melhor às metas estabelecidas com aquele organismo, isto o governo não deseja, tanto que desestimula que a idéia vingue no parlamento. Nos países desenvolvidos, o aumento de uma alíquota é questão de gravidade nacional e tema de muitas discussões. Aqui, um só homem – que nem é o presidente, mas um ministro – exerce domínio sobre 170 milhões de brasileiros e ninguém o detém.

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