A outrora pacífica Londrina é hoje uma cidade tão perigosa quanto os grandes centros do País e esta é, naturalmente, uma comparação pouco lisonjeira. As máfias organizadas das cidades maiores, que vendem segurança – e a recusa significa a morte – estão presentes em Londrina na forma de cobrança de pedágio e extorsão sobre os moradores de bairros periféricos pobres. É, pois, a miséria explorando a própria miséria.
No centro da cidade os adolescentes da Zona Azul são ameaçados de morte por arrombadores de carros, que são menores das zonas pobres da cidade. No centro de Londrina ocorrem agora os assaltos-relâmpago a mulheres. Conforme a descrição feita pelas vítimas, os assaltantes são jovens e bem vestidos. Em plena luz do dia e em meio ao movimento de pessoas, eles abraçam a mulher pelo pescoço, debaixo dos cabelos e com estilete em punho, e pedem a bolsa. Os circunstantes nem percebem e imaginam tratar-se de namorados.
A causa primeira de tanta violência é o desemprego e o abandono, sobretudo de menores, mas há os assaltantes profissionais, que emergem também da classe média e, alguns casos, da classe rica. Com a realização da Exposição Agropecuária e Industrial, a maioria dos policiais foi para lá e o centro ficou ainda mais desguarnecido. Há, pois, que trazer de volta parte do efetivo. A Exposição, de sua vez, precisará ter seu próprio corpo de segurança, com homens e mulheres adequadamente identificáveis, até para impor respeito. É um reforço que poupará o uso de grande contingente de policiais.
Se a Polícia não resolve todos os problemas, sua presença nas ruas intimida esses assaltantes, porque eles sabem que os cidadãos não usam armas mas que os policiais sim. Os delinquentes parecem agir com certeza de impunidade e estão cada vez mais ousados. A situação está muito séria em Londrina e isso exige que também o Poder Público se mobilize. Idéias de criar uma polícia especial do município foram promessas de campanha política e há que se repensar essa solução.

mockup