Qualquer opinião que se emita sobre as causas atuais do conflito entre israelenses e palestinos, e sobre qual das facções está com a razão, será temerária e longe de representar a verdade. Porque, naquela região do mundo antigo, impera sobretudo o ódio, que vem dos tempos bíblicos e foi passando de geração para geração. Se feito um exercício de busca histórica, pode-se remontar ao episódio da entrada dos filhos de Israel no Egito, pelas mãos de Jacó. Ali eles foram fecundos, multiplicaram-se e fortaleceram-se, e o novo rei do Egito então viu que eles eram mais fortes e mais numerosos que os egípcios, e passou a afligi-los e impôs-lhes dura servidão. Ordenou, ademais, que seus filhos homens fossem mortos ao nascimento.
O fato é que desde então nunca houve harmonia naquela parte do planeta. A luta que até hoje continua sempre foi pela posse da terra, que é o meio que permite a sobrevivência dos povos e lhes proporciona o chão comum que se converte em sua pátria. Ao longo dos anos a guerra foi ganhando amplitude e moveu interesses internacionais. Grandes potências municiaram esse palco com armas poderosíssimas, o terrorismo instalou-se e as mesas de negociações não fizeram avanços, porque nenhuma das partes se dispôs a fazer concessões.
Eventuais boas intenções de promover a paz encontram logo a reação popular, por que esses confrontos são movidos por muito ódio, que às vezes escapa do controle dos governantes. Mas quando um homem como o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon extrapola, como agora ocorre, encontra campo fértil no seio de seu povo e faz reacender-se a chama dos ressentimentos contrários.
A ofensiva militar e o morticínio parecem não ter dia para acabar, porque prevalece a linguagem dos mudos e surdos, e os dois grandes líderes do confronto – Sharon e Arafat – acusam-se mutuamente e nisso encontram, cada qual, o respaldo de seu povo. Para cessar esse conflito será preciso que cesse o ódio, porque só então haverá o necessário clima para se chegar a acordos nas mesas de negociações. Pela via da guerra só se reacenderá a fúria do revide e mais guerra acontecerá.

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