OPINIÃO DA FOLHA
A importância do bom salário
O aumento do salário mínimo, que entrou em vigor neste 1º de abril e começará a ser pago até o quinto dia útil de maio, é de apenas R$ 20 porém movimentará R$ 21 milhões mensais a mais na economia do Paraná, mesmo que boa parte tenha sido corroída pela inflação. É pouco, mas mostra a importância da melhoria salarial para agilizar a moeda e beneficiar a economia. Este o montante apenas relacionado com o aumento direto do salário, afora os reajustes que ocorrerão em ganhos diversos que têm o mínimo como referência.
No Paraná, num universo de 1 milhão e 400 mil trabalhadores formais, 47 mil são registrados com salário mínimo, 700 mil são aposentados, com idêntico ganho, e mais o expressivo contingente de 340 mil informais que vivem também daquela baixa renda e até menos.
O crescimento de uma nação se balisa no provento dos trabalhadores. Quanto maior o salário, maior a riqueza e, nessa dinâmica, quanto mais rica uma população melhores serão os ganhos de quem trabalha, uma coisa puxando a outra. O inverso também ocorre caso do Brasil porque se o rendimento do trabalhador é pouco a nação será inevitavelmente pobre, e em regime de pobreza os ganhos dos trabalhadores serão correspondentes.
Há, pois, que dar o primeiro passo, que deve começar pela melhoria salarial, com a necessária cautela para que um eventual aumento abrupto de salários não leve a empresa a um impasse. Será preciso também que o governo baixe os encargos sociais, elimine alguns ou abra mão de parte deles, determinando que revertam para o salário.
Para a empresa nada se alterará, pois é ela que paga a parte maior desses encargos. Porém, a elevação do ganho do trabalhador injetaria somas fabulosas no meio circulante e aqueceria a economia, dentro daquele princípio do giro da roda. Ocorreria aí a inevitável explosão desenvolvimentista, já tão consolidada em inúmeros países, onde, justamente por isso, uma queda para a pobreza é impossível e impensável.
Estudos do DIEESE apontam para um salário mínimo ideal de R$ 1.084. Tal poderá ser alcançado se o governo ceder em sua sanha abocanhadora e se houver um critério programado para se chegar a esse nível. Será necessário também flexibilizar a legislação trabalhista, para que suas garras não amedrontem a empresa e não inibam o emprego, como hoje ocorre.





