Roseana Sarney carrega o estigma de ser originária dos feudos político-familiares do Nordeste, que remontam ao tempo do Brasil-colônia e ainda permanecem intactos, naquela região. A própria seca continuou preservada, para garantir a indústria da miséria social, que tantos benefícios traz aos políticos de lá, pois eles se nutrem disso para conservar a tradição do assistencialismo em troca do voto. Tudo isso envolvendo esquemas arraigados de desvio de dinheiros públicos, em regime de impunidade, porque sobre isso nunca se fez cobranças. Roseana é o extrato refinado desse Brasil atrasado, revelado em forma de uma mulher simpática e cativadora mas que não fala por ela mas pelo pai, o cacique José Sarney – e por estes dias viu-se como essa figura se manifesta nas horas precisas; que fala pelo marido José Murad, frequentador de manchetes pouco lisonjeiras dos jornais; que fala pela comunidade agregada à família Sarney e que se reveza no poder há 40 anos, no Maranhão. Um filhote de leão, por mais que o deseje, não conseguirá esconder a sua origem. Estes os penduricalhos da musa maranhense.
Luiz Inácio Lula da Silva também carrega os seus, o principal deles o de ser petista, uma marca registrada que remete para idéias de ato público, greve, convulsão social, invasão de terras, e isso não faz o gênero do brasileiro – embora muita coisa só se obtenha, no Brasil, pela via do radicalismo. A face revelada de Lula são essas manifestações – que deixam os cidadãos acautelados – e a presença de alas extremadas que lhe são inerentes, como a CUT e o MST e as que negam reformas importantes, como agora se constata com o caso da legislação trabalhista. Se Lula abandonar essas correntes, isso lhe traria vantagem por um lado, pois obteria a simpatia do eleitorado, mas lhe tiraria apoio em suas bases, e ele perderia a imagem de defensor dos ‘‘pobres e oprimidos’’.
E José Serra, este ostenta o penduricalho de ser imagem e semelhança do presidente Fernando Henrique Cardoso. Elege-lo seria perpetuar a política que há oito longos e penosos anos não permitiu ao Brasil nenhum grande avanço, mas ao contrário, estagnou o crescimento e, na esteira disso, gerou o desemprego, a miséria social, a progressão das doenças, a violência e um empobrecimento geral em todos os segmentos da vida brasileira. Se progressos houve em diversos setores, não foi por mérito de medidas governamentais, mas pela ação natural do Brasil-cidadão, que apesar das políticas oficiais, não esmorece.
José Serra no poder seria a continuação da mentalidade do governo FHC, porque ambos se originam da mesma escola política e professam idéias semelhantes, entenda-se as mesmas teorias. São modelos de políticos de muita teorização e pouca ação, de vidas vividas em centros urbanos e em meios acadêmicos, distantes do Brasil verdadeiro aqui de baixo, este que o presidente Fernando Henrique não conhece, porque não o visitou. A opção então, entre os três candidatos mais em evidência, será escolher quais penduricalhos serão menos incômodos.

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