OPINIÃO DA FOLHA
A pronta ação de forças armadas federais contra os invasores da fazenda do presidente da República, em Minas Gerais, mostrou que quando quer, o governo age rápido. Se os organismos de segurança podem intervir com tanta presteza e eficiência em casos de invasão de terras, como agora demonstraram, há que exigir que façam o mesmo em qualquer circunstância idêntica, pertença a propriedade à maior autoridade nacional ou a qualquer outro proprietário rural.
Naturalmente que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) uma organização política que domina com maestria a arte da estratégia não agiu aleatoriamente ao invadir exatamente a fazenda do Presidente, porque sabia da repercussão interna e externa de tal acontecimento; sabia que a invasão não ia resultar em sucesso quanto à posse definitiva da área; e sabia que a intervenção ocorreria da forma que ocorreu, com o uso inclusive de tropas do Exército. O presidente da República é, afinal, o comandante-mor das Forças Armadas, às quais cabe a garantia da segurança nacional.
Invasão de propriedade alheia é violência, e a retirada dos invasores pela força é uma violência idêntica, mas a uma ação deve corresponder uma igual reação, e tinha de agir rápido o dono das terras não por coincidência o presidente da República porque a nação não poderia viver o clima de tensão caracterizado pela presença impune de foras-da-lei numa área invadida, justamente da autoridade máxima da República. Tal significaria a desmoralização da autoridade e o triunfo do delito sobre a ordem pública, e por isso a ação tinha que ser da forma que foi.
Pelos componentes políticos e sociais do episódio, envolvendo homens em luta pela posse da terra sempre do agrado de Ongs e organismos humanitários do mundo e uma propriedade rural do supremo mandatário da nação brasileira, a ação imediata da força armada dá ensejo a especulações e a desgastes para a imagem do chefe do Governo e de suas políticas públicas, mas não poderia ser outro o procedimento. Ou a ação se faz pronta, ou implanta-se a anarquia, que nenhum brasileiro em sã consciência deseja.
O caso da invasão estrategicamente urdida pelo MST de uma propriedade tão especial, tinha objetivo igualmente específico, que era a repercussão política do caso, a chamar a atenção, mais uma vez, para a questão agrária no Brasil. Algo não tão difícil de solucionar, se houver propósito, porque o que menos falta é terra, e boa terra, neste país abençoado pela natureza.
Naturalmente que, ressalvada a legitimidade da ação em defesa da propriedade que deveria ser imediata e efetiva não só neste, mas em todos os casos não será pela via da força que se implantará um sistema agrário justo, ordeiro e produtivo, mas pela ação da inteligência e da boa vontade, e pelas mãos de entendidos e de não de oportunistas políticos de plantão.





