OPINIÃO DA FOLHA
A boa informação em favor da agricultura, publicada ontem neste jornal, é que o Banco do Brasil vai disponibilizar, durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina de 4 a 14 de abril financiamentos ilimitados para comercialização de animais, máquinas e implementos agrícolas. Já de imediato serão liberados R$ 150 milhões para negócios na feira,á um evento que a cada ano se expande e figura entre as maiores promoções do gênero no continente.
Ao lado dessa notícia, lê-se que continua problemática a situação dos produtores de leite do Paraná, presos a um sistema de manipulação de mercado que não lhes proporciona mais que R$ 0,28 pelo litro do produto, com variações para baixo até R$ 0,18. Há uma diferença exorbitante entre o que é pago ao produtor e o que os supermercados e congêneres lucram na venda ao consumidor. Na CPI da Assembléia Legislativa que trata da questão, muitos dedos apontam para as redes de supermercados como agentes de um perverso sistema de especulação que cerca os produtos lácteos, em benefício próprio e em prejuízo dos produtores de leite.
E outro informe pouco estimulador é que, em Laranjeiras do Sul, pequenos e médios agricultores daquela região vão promover um grande protesto público, pela falta de uma política agrícola de longo prazo por parte do governo. Os manifestantes já estão acampados à margem da BR-277 e prometem, para hoje, bloquear o tráfego de veículos na rodovia á que é uma das mais importantes do corredor de exportação agrícola pela via de Paranaguá e barrar a entrada das agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal naquela cidade.
Esses colonos, que formam o denominado Movimento dos Pequenos Agricultores, reivindicam garantia de preços mínimos para os produtos da agricultura familiar, que é o forte daquele região paranaense; o fim da importação de gêneros da agricultura que o Estado produz, e a continuidade da proibição para o plantio e comercialização de transgênicos.
O grande pilar da economia nacional sustenta-se na atividade do campo e nos seus segmentos que, ademais, dão a garantia da segurança à população, pela produção e abastecimento dos gêneros indispensáveis à mesa dos brasileiros, pela volumosa cota de empregos que proporciona e pelo reforço na receita de exportações. Contudo, a agricultura ainda espera, dos governos, a atenção não recebida na proporção que merece.
Um extrato da importância do leite á para citar apenas um exemplo amarga uma situação de quase falência, mas nenhuma providência oficial acontece em defesa do produtor, enquanto corre solta a permissividade dos especuladores. Isto consolida a histórica constatação de que a atividade rural ainda não toca os governos e não figura entre as suas prioridades.





