OPINIÃO DA FOLHA
Uma nova rota de escoamento
A imponência do Rio Paraná sempre representou para o Estado um fator de isolamento geográfico em relação ao Mato Grosso do Sul e ao Paraguai. A distância para o país vizinho se tornou ainda maior desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu. Se o lago de Itaipu criou um mar de 14 quilômetros de largura entre o Paraná e o Paraguai, o leito e as ilhas do Rio Paraná representam um obstáculo natural entre o Estado e Mato Grosso do Sul.
Para solucionar o problema, foi preciso construir uma obra gigantesca, o complexo de pontes afinal inaugurado ontem. Esse empreendimento, considerado a maior obra fluvial da América Latina, com 16 quilômetros de extensão sobre rios, ilhas e várzeas, já vinha se arrastando há 15 anos, teve participação de outros governos, períodos de abandono e paralisação e, agora, é finalmente concluído pelo governo de Jaime Lerner. Pela importância do fato, esteve presente à inauguração o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
A plena liberação do tráfego por essa passagem que já em parte vinha sendo usada abre uma nova rota de escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste do Brasil, no rumo do Porto de Paranaguá, ao tempo em que possibilita um maior intercâmbio entre os dois Estados e uma infinidade de investimentos na região, alguns já previstos, sobretudo na área de serviços. Estima-se que, afora a importância desse corredor para facilitação e incremento das exportações pela via de Paranaguá, serão beneficiados 100 pequenos e médios municípios polarizados por Paranavaí e Umuarama.
A previsão é de que 2 mil veículos cruzem diariamente por esse complexo de pontes, favorecendo a implantação de serviços e possibilitando o desenvolvimento também de infra-estrutura de turismo ecológico e de todas as atividades aquáticas que o ambiente propicia, pela beleza do arquipélago de Ilha Grande e do Rio Paraná. Já se registra uma grande valorização imobiliária, sobretudo na região das pontes, que por si constituem atração, pelo arrojo da engenharia.
A inauguração de ontem deverá agilizar a pavimentação da denominada Estrada Boiadeira, que tem 72 quilômetros ligando Campo do Mourão a Icaraima, e cujo melhoramento é uma reivindicação regional de mais de 15 anos. Progresso gera progresso, numa sucessão encadeada de benefícios paralelos que irão surgindo.
A inauguração oficial dessas pontes confere um padrão de mais qualidade ao Paraná e a Mato Grosso do Sul, estende benefícios a outros Estados da região e também aos países do Mercosul. É um acontecimento de relevância regional e também nacional, por contemplar o maior pólo brasileiro de produção agrícola e pecuária. Em meio a notícias às vezes desalentadoras, que quebram o ânimo da vida nacional, eventos como o desta inauguração reavivam esperanças e constituem motivo de celebração.





