OPINIÃO DA FOLHA
Um desgaste desnecessário
A extensão, por seis meses, da greve das três principais Universidades públicas do Paraná, foi um desgaste desnecessário, porque a solução agora encontrada poderia ter acontecido logo no primeiro dia. Se a greve resultou na conquista de parte da reivindicação dos professores e demais servidores e se imaginar que ela tenha valido por isso, deve-se atentar que o mesmo benefício poderia ter sido obtido pela via do diálogo e do bom senso, sem tanto prejuízo causado pela longa paralisação.
Londrina, Maringá e Cascavel voltam a respirar mais aliviadas depois desse impasse, que estava pondo à prova a própria cidadania e o nível de competência das respectivas lideranças comunitárias para administrar momentos de crise. A verdade é que os fatos não lisonjeiam muito essas lideranças e nem a população das três importantes cidades, porque a mobilização foi pouca e inexpressiva, tratando-se de um problema que envolveu, no início, cerca de 38 mil universitários e, por extensão, suas respectivas famílias e muitos outros segmentos.
Finalmente, somados os prós e contras, a greve tem um final feliz, porque professores e servidores deram-se por satisfeitos com os aumentos salariais obtidos. Outra boa notícia é que as aulas do período perdido serão repostas e que o vestibular de janeiro, ao menos em Londrina, seja realizado no mês que vem. Cascavel realizou o seu e Maringá nada anunciou ainda a respeito.
O que também tranquiliza é o retorno da plena atividade do Hospital Universitário e do Hospital das Clínicas de Londrina e do Hospital Universitário de Maringá, que além de serem extensões do ensino médico das duas Universidades são pronto-socorros e atendem à população carente, que no período da greve teve atendimento restrito aos casos de emergência.
Enquanto isso ocorre, o governo atendendo a apelo dos grevistas e também de estudantes retirou o pedido de urgência para votação, na Assembléia Legislativa, do projeto de autonomia das Universidades públicas, para que haja mais ampla discussão das cláusulas dessa proposta. Se o modelo proposto é bom, pode também transformar essas instituições em redutos cartoriais se elas resolverem apenas contemplar o funcionalismo com bons salários e desprezar a infra-estrutura geral, e assim prejudicar a qualidade do ensino.
De tudo isso fica o amargo exemplo de que não se pode protelar decisões, mas ter a visão de tomá-las com rapidez e desassombro quando não é outra a saída, como no presente caso, cuja reivindicação era o inevitável aumento salarial. Que ao menos para esse alerta tenha servido a greve!





