OPINIÃO DA FOLHA
A lei dos pneus
Entre as poucas e boas coisas que acontecem está a lei que obriga, a partir deste ano, o recolhimento e picotagem dos pneus usados, por parte das indústrias que os fabricam e as empresas que os comercializam. O objetivo dessa lei é higienizar o meio ambiente, reduzir criadouros de mosquitos geradores de doenças como a dengue pela água da chuva que se acumula nos pneus abandonados e os transforma em hospedeiros de insetos e, mais ainda, solucionar um problema mundial, que é dar destinação ecológicamente correta para este que é um dos piores lixos industriais do planeta.
Agora a solução chega, pela via da reciclagem. O Paraná saiu na frente nessa empreitada e há cinco meses está reaproveitando pneus, na região metropolitana de Curitiba. Nesse período já foram recicladas 800 mil unidades. Os pneus velhos são triturados e transformados em gás e óleo combustível, utilizados na usina de xisto da Petrobras em São Mateus do Sul. Outra opção viável será a sua utilização nas fornalhas das indústrias de cimento, onde tudo do pneu se aproveita, inclusive o óxido de ferro contido no aço da armação desse artefato, e as cinzas.
O mundo não encontrava fórmula para reaproveitar esse lixo, que não é biodegradável, e de repente percebe-se que tudo dele pode ser reaproveitado. Os fabricantes, no Brasil, estão seguindo a determinação da lei e implantando centrais de coleta e picotagem dos pneus usados, que já têm preço no mercado e passam a ser uma nova fonte de renda, não apenas para as empresas trituradoras que irão surgindo, mas também para a indústria pesada e para os recolhedores desse detrito.
Os primeiros anos serão os mais difíceis, porque há muito pneu a recolher e reciclar, mas com o tempo os velhos estoques terão se esgotado e a coleta irá se fazendo na proporção do que for produzido. O Brasil fabrica 40 milhões de pneus por ano e só os Estados de São Paulo e Paraná são responsáveis por 40% do mercado nacional. Em Londrina, os pneus abandonados são uma das preocupações do Poder Público municipal, que já estuda parcerias para iniciar a coleta, e o mesmo, certamente, passará a acontecer em todos os municípios.
Os ambientalistas festejam, mas não apenas eles e sim toda a população. O êxito dessa cruzada da reciclagem já está garantido, pelo seu interesse econômico e por envolver, no processo, capitais privados e a ação dos catadores de pneus. Prevalecerá a lucratividade, mais que a consciência ecológica, mas é certo que ao menos esse problema ambiental caminha para solução.





