Uma calamidade
São alarmantes os números apresentados pela Promotoria da Infância e Juventude de Londrina, de que 80% dos adolescentes que passam por aquele órgão da Justiça são consumidores de drogas. A situação mostra o abandono em que se encontram esses menores, todos carentes, significando que suas famílias também estão em idêntica condição de miséria social. O problema se agrava porque faltam alternativas para o encaminhamento dos adolescentes drogados e infratores. O Poder Público não tem dado condições físicas e humanas para isso. Uma das carências é a inexistência de sistemas mais adequados de acompanhamento quando o juiz determina o tipo de reabilitação para eles.
A Promotoria informa que o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator é outro caso preocupante, porque o clima de agressividade ali dentro é grande. Os menores podem estar armados e cometer um atentado a qualquer momento. As informações, não só da Promotoria mas das demais autoridades da área, indicam que faltam condições para resolver o problema, ou ao menos amenizá-lo, então é preciso agilizar as providências, porque a situação não é nova. Sabe-se que a Prefeitura tem dinheiro liberado para esse fim, mas uma das alegações é que são necessários abrigos para meninos e meninas em situação de risco e não há onde instalá-los, pela pressão dos vizinhos que não querem um estabelecimento desse por perto, por temor e insegurança.
Naturalmente que os cidadãos precisam ser preservados, eis que os mecanismos de segurança se destinam a garantir a sociedade, mas os adolescentes drogados e/ou infratores também fazem parte dela. Uma questão tão simples, como a rejeição de vizinhos, não pode ser impedimento para a demora em encontrar a fórmula ideal. Como se posiciona a Promotoria, não se pode encarar esses jovens como bandidos e sim como vítimas. Mas algo precisa ser feito com urgência, porque muito se fala em aumentar a estrutura de policiamento para conter a onda da violência e no entanto um problema como este dos adolescentes – que são ponto de origem da criminalidade – vai sendo postergado.
Certamente que na próxima reunião do Fórum Permanente de Segurança de Londrina, que se reúne periodicamente, se voltará ao mesmo assunto e falando das mesmas dificuldades. É preciso menos reuniões e mais ação. O Poder Público tem que mobilizar todos os profissionais da área e apressar as soluções. Se o problema não é fácil de resolver, mais difícil parece estar sendo a disposição de solucioná-lo. Só reuniões e debates não bastam. Em questões de calamidade pública as ações costumam ser rápidas, então é preciso considerar o problema do menor drogado e infrator como uma calamidade.

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