OPINIÃO DA FOLHA
Na greve das universidades não existem inocentes, mas o corte dos salários dos grevistas, agora determinada pelo governo, pode ser a fórmula para colocar um fim nessa paralisação, que já entra no sexto mês. O bolso é a parte mais sensível das pessoas e agora o governo toca nesse ponto nevrálgico. Era o que deveria ter feito logo que a greve irrompeu, sem prejuízo das negociações. As lideranças sindicais afirmam que essa medida extrema endurecerá o movimento, mas não se deve crer cegamente nisso.
Justa que seja a revindicação de melhoria salarial, a greve dos professores e demais servidores chegou ao ponto de saturação, e a comunidade estudantil, assim como a opinião pública, já não a suporta. No começo da semana, em Londrina, houve uma manifestação pública de acadêmicos e já estava tardando que o fizessem, pois são eles os grandes prejudicados e viu-se que os cartazes não ostentavam críticas a nenhuma das facções em litígio. Apenas pediam a retomada das aulas.
Os grevistas vieram recebendo regularmente os salários, e isto favoreceu a continuidade da greve, porque até então era cômoda a situação. Com o bloqueio dos salários, ao sentirem diretamente o problema que geraram, eles poderão ser mobilizados a voltar ao trabalho. Porque, na verdade, se os professores e servidores em geral são a parte visível da greve, quem segura o movimento é a militância sindical, nada comprometida com a vida universitária e apenas voltada para o triunfalismo dessa arregimentação.
Como há uma proposta do governo ora em discussão na Assembléia Legislativa propondo mudança na gestão das universidades públicas, a sensatez recomenda aos servidores o retorno às atividades. A manutenção da greve não alterará posições do governo, portanto soa despropositada essa teimosa intransigência dos grevistas. Há muita coisa a discutir, principalmente a forma como as universidades irão se comportar, com autonomia administrativa, e não se poderá aperfeiçoar o sistema com as universidades paradas e a ausência de diálogo.
De há muito o direito dos estudantes foi usurpado, e são eles a razão central das universidades, acima de outras questões. Uma reivindicação salarial não pode converter-se no caos como este em que foram colocadas as três grandes universidades estaduais. A instituição não pode ser prejudicada por uma de suas partes, em detrimento das demais, sendo a maior delas a da comunidade estudantil.





