OPINIÃO DA FOLHA
Notícia publicada hoje no caderno Folha Cidade torna evidente a despreocupação de alguns segmentos do setor público com o dinheiro que mantém a estrutura governamental e os projetos que deveriam servir à população. Cerca de 66 mil cartões que deveriam chegam aos beneficiários do programa Bolsa Escola, do governo federal, foram confeccionados com a logomarca de outro programa, o Cartão Cidadão. Da mesma forma, pessoas que solicitaram este último, que permite acessar informações sobre o Programa de Integração Social (PIS) e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), receberam cartões do Bolsa Escola.
Segundo a reportagem produzida pela equipe local da Folha, só em Londrina 12,7 mil estudantes que receberiam o benefício, de R$ 15,00 por mês para cada contemplado, não estão sendo ainda atendidos por causa desta falha. O erro teria origem na empresa terceirizada contratada pela Caixa Econômica Federal, em Brasília, para confeccionar os cartões. A logomarca do Cartão Cidadão foi impressa no cartão da Bolsa Escola, e o deste segundo no do primeiro.
O mais difícil é ter que acreditar que nem um processo de checagem foi capaz de detectar o erro. Este papel caberia, em primeiro momento, à própria empresa terceirizada, que está cobrando pelo serviço e tem a responsabilidade de entregar ao cliente um produto de induvidável qualidade. O segundo responsável por um controle, senão de qualidade mas ao menos de exatidão de algo que envolve dinheiro, é o banco pagador dos benefícios, que não por coincidência é uma estatal.
Cerca de 66 mil cartões errados custam dinheiro. E nesse caso, o dinheiro gasto é parte das contribuições que milhares de brasileiros recolhem para o governo federal, na forma dos mais variados impostos. E, sendo assim, a população não pode admitir que um descuido gravíssimo seja adicionado ao já volumoso resultado final da soma de prejuízos que o País contabiliza por causa de equívocos.
Ao custo do material desperdiçado deve ser, ainda, ser acrescentado o dos serviços de postagem, uma vez que solicitantes do Cartão Cidadão receberam as encomendas pelos Correios. O mais grave, porém, é o transtorno que o erro está causando para as famílias beneficiárias do Bolsa Escola. Apesar do valor unitário de R$ 15,00 ser pouco para atender as necessidades básicas de um aluno, muitos deles dependem desse valor também para ajudar no sustento de toda família. O Bolsa Escola, cabe lembrar, foi criado para tentar manter o aluno na escola. Que além do baixo valor, a demora no recebimento do benefício não acabe servindo de desestímulo.
Quanto ao governo federal, cabe a ele, da mesma forma como aciona o voraz leão do Imposto de Renda contra os pequenos sonegadores retidos na malha fina, detectar e punir os culpados.





