O governo monetarista de Fernando Henrique Cardoso desprezou as políticas de desenvolvimento econômico e acabou afundando o País na recessão, no desemprego e no emprego informal, e fez crescer como consequência a onda de atentados contra o patrimônio. Mas agora os números revelam que, se seu governo não foi desenvolvimentista, também não soube administrar a moeda e as contas públicas. Demonstrativo do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc), publicado ontem nos jornais, mostra que nos quatro anos do segundo mandato presidencial os juros e as amortizações da dívida pública interna e externa terão consumido o correspondente a um ano inteiro do orçamento da União. Portanto, no quadriênio, toda a receita de um ano é jogada fora. São 405 bilhões e 361 milhões de reais.
Em consequência do alto custo desses serviços da dívida, os programas sociais do governo tiveram grandes cortes e alguns nem foram executados. Os dados do Inesc demonstram que o programa ‘‘Saneamento é Vida’’ tinha uma destinação de R$ 72 bilhões, no período, mas a execução foi zero, porque o dinheiro acabou canalizado para aquela conta de juro e amortização. O programa ‘‘Saúde do Trabalhador’’ estava contemplado com cerca de R$ 8 bilhões, mas apenas R$ 1 bilhão foi destinado a esse fim. O programa ‘‘Controle da Hanseníase e Outras Dermatoses’’ tinha recursos programados de cerca de R$ 13 bilhões, mas só aplicou R$ 2 bilhões. Desmistifica-se, assim, a propaganda oficial de que a saúde pública teve formidáveis investimentos, como veio apregoando o ex-ministro da Saúde e agora candidato tucano à Presidência da República, e explica-se porque certas epidemias se alastraram, quase sem controle, como é o caso de agora da dengue.
A política de juros altos do governo e a alta do dólar elevaram o estoque de sua própria dívida e o consequente aumento do montante dos juros, mas não se compreende como um governo que diz haver cuidado da moeda jogue fora, em quatro anos, um orçamento inteiro só para pagar juros. E, pelo jeito, a amortização da dívida foi pequena, pois a conta não baixou, mas ao contrário, subiu. Assim, conforme denuncia o Inesc, o governo está concentrando renda em vez de distribuí-la, e a continuar nesse ritmo – que veio sendo crescente – essa dívida e seus serviços não terão fim. Alguns países desenvolvidos têm também dívidas internas altas, mas elas são bem administradas, porque há a contrapartida do desenvolvimento, sem sacrifício dos programas assistenciais básicos e dos megaprogramas governamentais. Ao apagarem-se as luzes do governo FHC vão se revelando números que o colocam entre os mais desastrados que esta nação conheceu.

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