OPINIÃO DA FOLHA
Nas quatro vilas rurais instaladas no município de Londrina existe a terra, embora pouca, existe a mão-de-obra e a disposição de produzir, mas falta o recurso financeiro para tocar a lavoura e armazenar a colheita. O projeto, então, fica pela metade.
Ao mostrar o problema, ontem, a Folha Rural constata que tal ocorre pela falta de um projeto agrícola de cada vileiro e que deve ser apresentado à coordenadoria do programa das vilas rurais. Não se imagina como exigir de um homem simples da roça que elabore tal projeto, dentro de formalidades burocráticas, quando deveria haver orientação, para isso, da esfera oficial.
Agora vai começar a colheita de milho e arroz, mas não há onde guardar a produção e nem perspectiva de como vendê-la, porque faltam os meios de transporte, e certamente os colonos acabarão caindo na mão de especuladores, como sempre acontece quando não há onde guardar a safra para esperar por melhor oferta de preços.
Quando a vila foi implantada havia a promessa de que cada família receberia recursos de R$ 1 mil, destinados a financiar a compra de sementes e outros insumos e permitir a construção de um paiol, mas o dinheiro não chegou até hoje. A ajuda da Embrapa, que interferiu doando sementes, resolveu esse problema mas não há onde guardar a safra que não é grande, pela exiguidade do terreno, de apenas 5.000 metros quadrados mas é tudo para o colono, porque é do que ele dispõe. Mesmo que o dinheiro seja liberado agora não haverá mais tempo de construir os paióis.
Como, no Brasil, as coisas têm sempre caráter mais assistencialista do que infra-estrutural, o que acontece é a dependência de doações, como ocorreu com as sementes, e como acontece com a prefeitura, entidades e igrejas, que precisam socorrer esses vileiros com atendimentos sociais.
Eles são pessoas com vocação para o trabalho no campo, e não mendicantes, mas acabam precisando dessa ajuda externa porque o programa das vilas rurais não é completo. Esse programa já foi avaliado como de pouca eficiência, por causa da limitada área, o que obriga seus ocupantes a buscarem trabalho em lavouras das vizinhanças onde não há trabalho para todos ou nos centros urbanos mais próximos.
Além da pouca terra para plantio de onde tem de sair todo o dinheiro de manutenção das famílias e ainda cobrir as contas de água e luz e a prestação mensal da compra da propriedade esses colonos não contam com financiamento agrícola para a infra-estrutura mínima, e nem com assistência na hora de vender a produção. Os moradores das vilas estão desanimados e têm de buscar alternativas fora, e para isso é também preciso dinheiro para o transporte, e eles nem sempre encontram serviço.
Foi uma imprudência entregar a criação desse projeto a burocratas e não a especialistas em questões agrícolas, que teriam orientado para uma expansão dessa minúscula área e traçado um programa mais amplo, definitivo, que evitasse problemas como esses que agora acontecem e que continuarão acontecendo.





