A mentalidade sindicalista no Brasil é ainda retrógrada, mas mesmo assim um poder capaz de provocar distúrbios sociais, promover greves, paralisar a atividade produtiva e inibir discussões como a da reforma da legislação trabalhista. Ante o temor da manifestação sindical, os próprios parlamentares não ousam tocar na lei do trabalho, mesmo que ela seja hoje prejudicial à causa do emprego e portanto ao trabalhador.
Assim, uma lei já com 60 anos vai se arrastando em sua decrepitude, porém muito amparada por sistemas radicais, que intimidam qualquer iniciativa de mudança. O ministro também critica a comunidade patronal, que ‘‘passa ao largo das grandes questões trabalhistas, deixando de incluí-las na pauta de discussão dos graves problemas nacionais’’.
Já é consenso entre as camadas mais esclarecidas que a legislação trabalhista brasileira é inibidora do emprego, assim favorecendo o trabalho informal, que funciona à margem e não tem vinculação empregatícia e tributária. O cidadão propenso a implantar um negócio teme a lei que trata de sua relação com o empregado. Contratar um trabalhador, hoje, significa admitir um privilegiado sócio, que não tem de preocupar-se com a vida econômica da empresa. E, se despedido, com ou sem justa causa, sabe que receberá uma gorda indenização, porque a legislação lhe é benfazeja e a Justiça do Trabalho também o contempla. A CLT deveria favorecer a livre negociação, mas, ao contrário, estimula o recurso da ação judicial.
A inflexibilidade da lei trabalhista leva certos empresários a não registrar empregados, e nas regiões subdesenvolvidas do País a carteira do trabalho é pouco conhecida, a ponto de, quando um trabalhador a obtém, considerá-la uma emancipação e um diploma. A CLT, como está, propicia extremismos como a indústria da ação trabalhista, que sempre tange o empregador, a contratação sem registro, o desestímulo de implantar empresas e simplesmente a não-contratação, que vai engordando a legião dos desempregados.
Junto com essa legislação inadequada e leonina impera a sanha do governo de ganhar sobre o salário, na forma dos encargos sociais, que representam o dobro de cada salário. É um valor pago pela empresa e que bem poderia ser canalizado para o ganho do trabalhador.
A causa do desemprego é, antes de tudo, a política econômica do governo, que não estimula o desenvolvimento da atividade produtiva, e assim a miséria gera mais miséria, por afastar do mercado consumidor grande contingente de brasileiros, mas a inflexibilidade da lei trabalhista e o sistema punidor sempre voltado contra a empresa são também fatores de desestímulo a contratações.

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