OPINIÃO DA FOLHA
O governo estadual foi permitindo que a questão da baixa remuneração salarial dos servidores chegasse ao ponto de combustão, e agora é difícil controlar o incêndio. É boa a proposta governamental de mudar o sistema de gestão das universidades públicas, pela via do repasse do ICMS e a implícita concessão de autonomia gerencial a essas instituições, mas os comandos grevistas não a aceitaram. E assim a greve continua, já quase chegando a meio ano.
A contra-proposta das lideranças sindicais que terça-feira promoveram mais uma manifestação pública, em Curitiba, com a presença inclusive de ativistas da esfera nacional, incluindo a CUT é que, além do sistema ICMS, sejam adicionados R$ 90 milhões, este ano, para proporcionar reajuste já, de 30%. Dinheiro que o governo alega não dispor, além de enfrentar os rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece limite para os gastos com funcionalismo, proporcional à receita. Uma questão séria, que não é fácil solucionar.
O cenário da greve mostra que a reivindicação inicial dos servidores baixou de 50,3% para os 30% agora anunciados, significando que pouco mudou quanto à razão da paralisação. A questão continua repousando no aumento imediato, independente de outras propostas. E propostas concretas agora existem, de parte a parte, mas parece que a greve só chegará ao fim com a aprovação do sistema de repasses o que ainda não passou pelo voto da Assembléia Legislativa e principalmente com o adicional pedido de R$ 90 milhões. Só falta arranjar a fórmula mágica de obter o dinheiro e de adequar essa dotação à LRF.
O corpo legislativo dá uma tímida mostra de que está preocupado com o problema, pelo despertar, agora, do presidente da Casa. Ele afirma que irá ao governador solicitar-lhe que se posicione a favor de uma negociação. E cerca-se de zelo ao dizer que não irá sugerir que o governo assuma esta ou aquela proposta, apenas pedir que negocie. Colaboração muito pouca, ou quase nenhuma, tratando-se da representação de que é investido e da gravidade do problema.
O presidente da Assembléia deve, sim, indicar soluções e discutí-las com o governador, sem prejuízo da votação da via de repasses do ICMS e da autonomia às universidades, que é uma excelente fórmula encontrada pelo governo, até porque já executada com êxito no Estado de São Paulo.
A proposta governamental, prestes a converter-se em lei se os deputados não forem protelando a sua votação é uma solução que as seis universidades públicas do Paraná, três delas em greve, corrijam e administrem seus próprios planos de carreira, cargos e salários, e assim remunerem os professores e demais servidores dentro de um programa orçamentário, que irá independer do governo. Mas os comandos classistas querem reajuste já.
O certo é que a situação está insustentável e que Londrina, Maringá e Cascavel já não têm universidades públicas. É como haver retrocedido ao tempo em que essas cidades, pela mobilização de suas lideranças comunitárias, lutavam para obter essas instituições de nível superior. A situação é desalentadora, sobretudo para os universitários privados das aulas e do atraso que isso representa para eles, para não falar dos prejuízos na imagem das próprias escolas e os que se estendem por muitos segmentos das três cidades atingidas.
As civilizações avançam à sombra de suas instituições de ensino, e as universidades têm nesse processo relevante importância cultural, política, social, econômica. Com a greve que castiga as três importantes cidades paranaenses, toda essa riqueza está se deteriorando.





