OPINIÃO DA FOLHA
Ou a Justiça comete erro no prender ou facilita no soltar, porque o senso comum não compreende esse descompasso dentro do próprio Poder Judiciário sempre que ocorre a prisão de pessoas de expressão no meio político e social. A população, embora não compreenda, já nem fica perplexa, pois antevê que tais prisões só duram algumas horas, como ocorreu no último sábado com o episódio Jader Barbalho.
Se, de um lado estribada em investigações e denúncias consideradas suficientes a Justiça prende, é difícil ao leigo vislumbrar, até onde sua vista alcança, como o mesmo corpo judicial imediatamente desconsidera tais fatos e simplesmente os anula, libertando o preso. Parece que vivemos dois códigos, em países distintos, onde as leis sejam diferentes e permitam interpretações dúbias para uma mesma situação.
Estranha também que o ex-político, parecendo ainda agir sob imunidade parlamentar, faça pronunciamento como o de que sua prisão determinada pela Justiça Federal do Estado de Tocantins foi um ato eleitoral montado pelo Judiciário. Tal tenha algum fundamento, é lícito dar asas à imaginação e supor que a decisão do Tribunal Regional Federal em libertar Barbalho represente a condenação de um poder sobre ato do mesmo poder, por prática de negligência, ou por incompetência ou por arbitrariedade. Se a Justiça Federal de Tocantins prende e o Tribunal Regional Federal liberta, a primeira perde, nesse jogo de braço. Algum erro ocorreu, ou na primeira extremidade ou na segunda, porque a Justiça não age por hipóteses e sim alicerçada em fatos, e os fatos aí não entraram em acordo.
Acusações contra Jader Barbalho não faltam: ter feito fortunas em tão poucos anos desde que assumiu o governo em seu Estado e foi ministro e senador, e especialmente o caso que o levou agora a 15 horas de prisão a denúncia de haver desviado 1 bilhão e 700 milhões de reais quando presidente da
Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia. A Polícia Federal tem pelo menos três depoimentos que apontam Jader como envolvido no caso, e foram justamente essas testemunhas que levaram o Ministério Público Federal a pedir a prisão preventiva do político.
A pergunta que os inocentes cidadãos fazem é como os organismos de investigação, as Promotorias Públicas e a própria Justiça podem cometer tantas falhas técnicas que dêm ensejo às liminares de soltura, coincidentemente quando se trata de levantar informações e conduzir à prisão pessoas importantes. Esse prende-e-solta destimula os investigadores e as Promotorias Públicas e desacredita o próprio Poder Judiciário, o que acaba sacralizando o conceito popular de que cadeia é para gente sem poder. Não se discute aqui se Jader é ou não culpado. O que causa preocupação e insegurança é esses fatos já serem motivo de pilhéria, e isso desacredita as côrtes. Para salvar a própria imagem do Poder Judiciário o ideal seria, antes de prisões dessa natureza, que sejam consultadas as instâncias superiores, para não haver o risco das célebres liminares, já figuras do deboche popular.





