Mesmo com as sucessivas quedas no preço da gasolina, o álcool continua sendo o combustível mais barato e mais vantajoso, conforme estudo da assessoria econômica de uma usina paranaense, publicado neste jornal na semana passada. Argumentos em defesa do álcool não são novos, porque esse combustível extraído da cana vem sofrendo abalos desde que foi inventado, há 25 anos.
O álcool carburante foi lançado no Brasil com grande sucesso e incentivou a implantação de indústrias alcooleiras, ao tempo em que projetava uma queda acentuada nas importações de óleo cru, com economia de divisas. Além de mais econômico para o consumidor, o álcool é biorrenovável e menos poluente, porém o lobby do veículo movido a derivados de petróleo foi muito poderoso, com as montadoras desprezando a produção de veículos a álcool em face do oneroso custo de manter duas linhas de montagem.
Um quarto de século de experiência de sucesso, quanto à eficiência do novo combustível, não foi suficiente para a implantação de uma política definida em defesa desse carburante legitimamente brasileiro – embora também o seja o petróleo extraído dos poços nacionais, porém a um custo mais elevado e ademais sabendo-se que é um recurso finito e muito mais nocivo ao meio ambiente. Uma alternativa não deveria prejudicar a outra, mas somar-se, pois combustível é uma questão de segurança nacional.
Todas as vantagens apontam para o álcool, inclusive a garantia de contínua produção, porque extrato de origem vegetal, podendo ser produzido também por mini e médios investidores. O Brasil foi o primeiro país do mundo a extrair combustível da cana e isso aconteceu quando a poderosa Organização dos Produtores e Exportadores de Petróleo elevou substancialmente o preço do barril e colocou em pânico o mundo inteiro. Paralelamente, a tecnologia nacional desenvolveu variedades de cana mais adequadas e investiu no parque moageiro, com a expansão de técnicas. Faltou a suficiência continuada do suporte financeiro.
Poucos se lembram do Proálcool – o Programa Nacional do Álcool – que começou bem mas as indústrias produtoras não tiveram sustentação e o setor entrou em crise. O estudo da assessoria econômica demonstra que, para a gasolina competir com o álcool, teria de ser vendida a R$ 1,12 o litro. Dados também indicam que o motor a álcool é 30% mais potente e sua vida útil chega a cinco vezes mais que um motor a gasolina. A razão é que o álcool é um combustível limpo, por isso protege mais a saúde da máquina. E das pessoas.
Pelos números citados, o Brasil economizou 50 bilhões de dólares em divisas desde o invento do novo combustível. A expansão da produção de álcool, se houvesse ocorrido no ritmo da arrancada inicial, teria resultado em mais economia de preciosas divisas e dado um vigoroso impulso na indústria alcooleira. O certo é que nunca se conheceu por inteiro a verdade sobre o estancamento do programa do álcool, combustível que tinha tudo para ser um produto de salvação nacional, no setor energético, eis que poderia ser empregado em escala também nos veículos pesados e em motores estacionários.
Naturalmente que, por ser um experimento novo, as indústrias de álcool carburante passaram por grandes dificuldades e entraram em crise. As montadoras entraram com o seu pé no freio para deter a corrida de veículos movidos a outro combustível não-convencional e lobbies muito fortes vieram boicotando o avanço do álcool, com uma poderosa ação de adversários da nova fórmula brasileira de mover motores. O Brasil deveria ter hoje mais veículos a álcool rodando do que os movidos a gasolina, e com grande vantagem social e ambiental.
É certo que o álcool ainda voltará aos seus melhores dias, porque essa alternativa é inevitável, assim como outras soluções já experimentadas e que se provaram viáveis. Ganharão com isso as indústrias do setor, que ficaram capengas, e ganharão os consumidores, porque esse combustível é mais econômico e menos poluidor e proporciona vida mais longa ao motor.
O retorno da alternativa do álcool, de forma intensiva, reativará empregos, reestimulará a agricultura – naturalmente dentro de um programa de zoneamento racional que equilibre culturas de cana e de alimentos – e resultará em economia de divisas, pois parte do petróleo que o Brasil consome é ainda importado.

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