A Nação viu durante a semana o seu presidente irado com a violência que toma conta do País. Tamanha foi a indignação demonstrada por ele que, como se era de se esperar e sendo praxe em desfechos de discursos, uma posição forte e de impacto seria anunciada, como supunham os telespectadores que o assistiram na televisão. Mas o governo não aproveitou a oportunidade para apresentar um balanço do plano de segurança que lançou há alguns meses. Também esse governo, através de seu representante máximo, não pode falar ao povo sobre a existência de algum novo pacote de emergência para, ao menos, reduzir a criminalidade.
Um balanço do plano provavelmente seria desacreditado, uma vez que se ele existe e não surte os efeitos esperados, algo está errado em sua formulação ou na sua forma de ser praticada. Um novo pacote, por outro lado, simplesmente inexiste. Por isso, o governo encerrou seu posicionamento sobre a segurança optando por um desafio aos congressistas: que discutam e aprovem projetos de leis pertinentes ao tema encurtando o tempo de tramitação dos mesmos na Câmara dos Deputados e no Senado.
Merece, sim, aplausos esta cobrança feita pelo governo em tom de desafio. O puxão de orelhas nos parlamentares é o mínimo que a população espera dele no momento em que pequenas e grandes cenas de violência tiram o sono dos brasileiros. Principalmente por esta população, responsável pela eleição dos deputados federais e senadores, ter conhecimento da demora na discussão de alguns projetos de leis que, se aprovados e sancionados, contribuiriam na busca de soluções para alguns problemas básicos do País.
O que se questiona no ato do governo é o oportunismo do seu representante máximo para lançar um desafio de tamanho peso, quando atitude igual poderia ser tomada muito antes. A Nação não queria, na verdade, ouvir o brado heróico do governo só no momento em que um publicitário de reconhecida competência e de influência ímpar nos meios político e empresarial fosse colocado em liberdade por um grupo de sequestradores. Dias antes, outro empresário, provavelmente também de induvidável capacidade profissional, fora colocado livre das garras de bandidos após 120 dias de cativeiro. Embora vítima de sequestro, da mesma forma como o publicitário, o empresário não recebeu um telefonema de alguém do governo e tampouco mereceu uma entrevista coletiva, espetacularmente desfechado com um desafio.
Esta é a questão e a cobrança que a população faz. A violência atinge grandes e pequenos, abastados e pobres, famosos e anônimos. E não é somente quando alguém influente é vítima que o governo deve se manifestar sobre alguma medida rigorosa – o que tem sido tão carente nestes últimos anos. Os desafios, sejam aos congressistas ou aos próprios ministros que fazem parte do governo, teriam maior impacto se lançados quando deles a Nação tivesse necessidade. Assim, qualquer vítima da violência, seja um pedreiro ou uma dona de casa – e ambos, além do mais, serem contribuintes – não se sentiria tão violentado por um governo que parece desprezá-lo quando se pronuncia e age apenas em ocasiões que lhe são favoráveis.

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