Quando se esperava que os servidores do Hospital Universitário de Londrina e do Hospital de Clínicas da UEL suspendessem a greve, o que se viu foi o endurecimento das posições. Essas instituições só estão atendendo parcialmente, e a presidente do sindicato da classe alerta a população a que não procure, ali, os atendimentos de saúde. Também anuncia que serão feitos arrastões dentro dos hospitais para patrulhar os eventuais fura-greve – aqueles que não estão escalonados para os atendimentos emergenciais.
A greve, então, continua nesses hospitais-escola que integram a Universidade de Londrina. Também na própria UEL e nas universidades estaduais de Maringá e Cascavel a paralisação é mantida e, assim, dentro de mais quatro dias, o movimento grevista estará completando cinco meses.
Na Universidade de Londrina a reitoria mantém os atos executivos que determinaram a volta dos grevistas ao trabalho, até porque cumpre determinação judicial nesse sentido. A situação dos servidores em greve é cômoda, porque eles estão recebendo os salários regularmente, desfrutando assim de férias de 150 dias, o que é também um recorde e caracteriza, moralmente, um abandono do trabalho.
Enquanto isso, o governo anuncia um plano de reestruturação de cargos e salários e uma proposta de manter as universidades estaduais pela via de repasses regulares, a elas, de um percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, um sistema já usado com êxito pelo governo paulista.
Essas questões, segundo o anúncio oficial, entraria na pauta da primeira sessão da Assembléia Legislativa, que volta às atividades no próximo dia 18. Porém, lendo a pauta dos trabalhos das primeiras sessões, publicada ontem neste jornal, vê-se que as prioridades dos debates e votações são outras. Nada consta sobre aquelas duas propostas, e isso é no mínimo estranho, pois nada é mais importante solucionar, no momento, que a situação de greve em que se encontram as três maiores universidades públicas do Estado.
A população dessas comunidades e os universitários sem aulas, com o ano letivo de 2001 praticamente perdido, vêem assim se esvaírem as esperanças de recuperarem as aulas não recebidas. Também não há indicativo de que seja normal o ano escolar de 2002. O vestibular do início deste ano já se perdeu, as instalações desses centros superiores de ensino sofreram deteriorações pelo abandono, as cidades estão tendo grandes prejuízos econômicos, pela ausência da movimentação do estudantado, e a imagem das universidades também fica prejudicada. A quebra de ritmo certamente criará uma defasagem na qualidade de ensino, e demorará até que professores e alunos se reciclem.
Os deputados, que já conhecem o problema e sabem das anunciadas propostas do governo, deveriam se adiantar e dar prioridade à questão, porque têm também eles grande responsabilidade diante da situação. Estranha que nenhum parlamentar das regiões tangidas pela greve tenha se manifestado a respeito, nestes cinco meses, e nem os da oposição hajam demonstrado interesse pelo caso. Não se crê que, também eles, desejem a continuidade dessa paralisação pelo simples fato de que ela atinge o governo. Outra possibilidade é que os grevistas exaustos – e há um grande número deles – comecem a retornar paulatinamente ao trabalho e assim esvaziem a ofensiva sindical e o poder das assembléias classistas, decisivas porém sempre minoritárias.

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