OPINIÃO DA FOLHA
Uma boa notícia, publicada ontem nos jornais, foi a do aumento da produção brasileira de soja e milho e intensificação da oferta desses produtos no mercado internacional.
Com efeito, a exportação de soja do Brasil aumentou o dobro, na década passada, e a tendência é continuar crescendo 4% ao ano até 2010 quatro vezes mais que a média mundial. Também a exportação brasileira de óleo de soja deve dobrar nos próximos dez anos.
Nossa produção de milho cresceu 40% durante a década de 90 e, de importador de 1 milhão de toneladas/ano, o Brasil passou à condição de exportador de 3,7 milhões de toneladas.
Esses números se não bastassem as estatísticas nacionais são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, agora divulgados. A perspectiva é ainda mais animadora porque, pelo relatório americano, o Brasil ainda dispõe de 547 milhões de hectares intocados, de terras agricultáveis, sendo, portanto, o país detentor da maior área virgem do planeta. Nesse cenário de produção desponta o Paraná, como um dos grandes atores.
Também se leu ontem neste jornal que no ano passado a indústria paranaense cresceu 25% em relação ao ano anterior, e isso se deveu bastante ao apagão em outros Estados, que os levou a diminuir seu ritmo produtivo e induziu regiões livres do problema, como o Paraná, a acelerar-se, para atender a essa defasagem. Pelos números da Federação da Indústria do Estado do Paraná, houve com isso uma expansão de 9% da oferta de emprego.
E entre as informações alentadoras, outra é que pequenas cidades do Paraná entram na disputa por indústrias. Os casos divulgados ontem pela Folha de Lupionópolis, Guaraci, Centenário do Sul e Bela Vista do Paraíso são apenas exemplos. Para criar novos empregos e não depender apenas da atividade agropecuária, implanta-se nesses municípios um projeto de incentivo denominado Barracão do Emprego, com módulos destinados a médias e pequenas indústrias. Trata-se de um projeto que beneficia com verbas federais, de início, 16 municípios norte-paranaenses e um total de 19 desses barracões.
Em Lupionópolis, uma empresária paulista instala uma média indústria de embalagens, transferindo-a de São Bernardo do Campo e atraída pelo incentivo do município. Em Centenário do Sul a prefeitura já está construindo o Barracão do Emprego e quer atrair mais uma indústria de confecção. Em Guaraci o prefeito quer destinar o Barracão a microempresas municipais que atualmente produzem em fundo de quintal. E em Bela Vista do Paraíso a prefeitura está preparando a documentação para edificar o seu Barracão, objetivando a chegada de mais duas indústrias de vestuário e uma de alimentos.
Isto demonstra que cidades menores e mais tranquilas podem ser a opção para a transferência de indústrias dos grandes centros, proporcionando emprego às populações fora dos megapólos industriais e dando um novo impulso de desenvolvimento no interior brasileiro.
Em meio a notícias de corrupção, de universidades fechadas por greves, de sequestros e outras formas de violência, também confirma-se a certeza de que existe no Brasil e no Paraná uma comunidade operante, que mantém acesas as esperanças de um futuro melhor e que, sem dúvida, haverá de ser grandioso neste país.





