No início os comandos grevistas receberam bem a proposta do governo estadual de manter as universidades pela via de repasses regulares de um porcentual do ICMS, mas logo depois a rejeitaram, por decisão do comando estadual grevista, que se reuniu em Londrina. Consideraram-na ‘‘uma enganação’’ e, assim, a paralisação persite.
As lideranças da greve, de origem sindical, vinham apregoando que faltavam propostas do governo, e agora existem pelo menos duas. Uma, a da reestruturação do plano de cargos e salários e a suplementação de verba orçamentária para cobrir os reajustes salariais, o que depende de aprovação da Assembléia Legislativa, atualmente em recesso. A outra, a do repasse do ICMS.
Se essas propostas não são concretas no sentido que os comandos grevistas querem dar, é porque elas dependem de aprovação legislativa, o que só pode ocorrer a partir do próximo dia 18, quando os deputados voltam à ativa. Uma nova decisão tomada pela militância grevista é a de fazer uma grande manifestação defronte da Assembléia, dia 19, quando espera-se que alguma coisa já tenha sido votada com respeito às propostas governamentais.
Na reunião com o reitor da Universidade de Londrina (UEL) os comandantes classistas ainda exigiram que ele revogasse os atos que determinaram o retorno ao trabalho de 75% dos professores e servidores e a liberação dos portões do Hospital Universitário e do Hospital das Clínicas. O reitor, naturalmente, não pode acatar esse pedido, pois, como representante jurídico da UEL, cumpre ordem judicial.
Já se percebeu que pela via de uma eventual conscientização das lideranças classistas a greve não terminará. Há, pelo menos, mais 15 dias de espera até que a Assembléia Legislativa reabra o período de sessões, receba as anunciadas propostas do governo e comece a discuti-las e votá-las. Um ítem decisivo será o porcentual do ICMS que quantificará o que as universidades irão receber, pois falou-se em eventuais 7%, enquanto os comandos já teriam achado pouco e sugerido 9%.
Este poderá ser mais um ponto complicador a justificar a continuidade da greve, que para os servidores parados é uma situação confortável, pois eles desfrutam dos ganhos – que estão sendo pagos regularmente – sem terem de trabalhar. Já para os militantes sindicalistas, que cultuam os atos públicos e as paralisações, o prosseguimento da greve será um triunfo. Lideranças nacionais da militância já vieram a Londrina para celebrar o tempo recorde de duração desta greve e exaltar o trabalho dos companheiros. Se a reivindicação dos servidores é justa, a greve serve à causa triunfalista de seus mentores.
O governo agora tem propostas e deve gestionar para que elas sejam aprovadas com urgência urgentíssima, para assim, na contrapartida da ideologia grevista, responder com a ideologia da solução. Já se viu que este é um momento de confronto. O governo tem a chance de desferir um golpe decisivo na greve e regularizar, permanentemente, a vida das universidades estaduais, anulando assim a possibilidade de infiltrações políticas estranhas, que agem nos vácuos abertos do oportunismo.

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