OPINIÃO DA FOLHA
Pelas manifestações que se observa, os grevistas de Londrina, Maringá e Cascavel já estão exaustos desse regime de paralisação, que afeta as universidades estaduais das três cidades. Muitos desejam voltar ao trabalho, até constrangidos por continuarem recebendo normalmente os salários. No Hospital Universitário de Londrina 30 servidores que estavam em greve retornaram à atividade, contrariando determinação da assembléia da classe.
Quarta-feira, na Universidade de Londrina (UEL), os comandos promoveram um arrastão visando convencer os funcionários que reassumiram o trabalho a mando da Justiça a que voltassem à greve. Como se sabe, liminar judicial determinou que 75% dos servidores retornassem às atividades e que fossem abertos os portões do Hospital Universitário e do Hospital das Clínicas.
Esse espírito de greve é sustentado pela influência de lideranças sindicais e classistas, que não têm vínculo com a área acadêmica das universidades e nenhum compromisso com a sociedade afinal a proprietária e mantenedora daquelas instituições mas possuem um forte poder de articulação, patrulhamento e domínio.
De um lado estão os adeptos da continuidade da greve, que até se vangloriam de o tempo de duração dela já estar batendo recorde, e de outro os professores mais sensatos, que passaram caso de Londrina a realizar reuniões permanentes para discutir a possibilidade de encerrarem essa paralisação. Existe a proposta de retornar ao trabalho no próximo dia 18, quando a Assembléia Legislativa termina o recesso e passa a discutir a pedido do governo uma reestruturação de cargos e salários, e vota suplementação de verba orçamentária para o reajuste solicitado pelos servidores.
Mas algumas das entidades que representam as categorias em greve definem como preocupante a proposta dos professores, supostamente porque a suspensão da greve, à sua revelia e dos demais companheiros de militância, significaria um enfraquecimento dos comandos.
Mas ao menos entre a classe acadêmica parece estar prevalecendo o bom senso, e pode vingar a idéia do retorno ao trabalho, sem prejuízo das negociações e da reivindicação de melhoria salarial, indiscutivelmente justa. Tal seria uma derrota para as lideranças grevistas mas uma vitória da sensatez e da cidadania, pois os direitos dos universitários, privados das aulas, estão sendo usurpados, e por extensão os da população, que não quer ver as suas universidades sob o cativeiro de corporações estranhas ao seu quadro funcional.
Os grevistas já mostraram o sentido de sua reivindicação e devem agora acatar o pedido de prazo do governo, pois persistir na greve não alterará a situação e será mero exercício de intransigência e insensatez. Certamente que o governo não se furtará, agora, de cumprir o que promete, até porque a sociedade que quer o fim da greve está vigilante e também defende melhoria salarial para os professores, não apenas os universitários mas os de toda a rede escolar.





