OPINIÃO DA FOLHA
Duas determinações da Justiça # a primeira estadual e a segunda federal # não foram suficientes para o fim da greve nas universidades estaduais do Paraná, que já dura 135 dias. A paralisação dos professores e funcionários é mantida na Universidade Estadual de Londrina, Universidade Estadual de Maringá e Universidade Estadual do Oeste do Paraná, localidades onde os comandos de greve mostram-se irredutíveis e a possibilidade de retorno imediato às atividades é uma incógnita.
A decisão dos grevistas, infelizmente, adquire conotação de radicalismo, quando nem o fato da Justiça estadual e federal julgaram o movimento abusivo ter sido levado em consideração. O comando de greve, como informa reportagem que este jornal publica, recorreu das sentenças emitidas pelas duas esferas da Justiça. Soa também desagradável, no entender da opinião pública, saber que os funcionários e professores destas instituições estão recebendo seus salários em dia, enquanto a crise econômica afeta, pelo país afora, um expressivo contingente de trabalhadores que, devido às dificuldades financeiras das empresas em que estão registrados, não conseguem, também, melhorar os seus ganhos.
É mais do que justa a reivindicação dos trabalhadores das universidades e isso tem sido exposto pelos meios de comunicação que fazem a cobertura desta greve sem fim. Assim como é justa a necessidade das demais categorias profissionais de terem suas rendas adequadas de acordo com o custo de vida, que apesar dos números oficiais mostrarem o contrário, tem o seu grau de incompatibilidade entre a receita e a despesa do empregado aumentado a cada dia. Não é por isso que outros trabalhadores decidem por uma paralisação sem fim. A negociação, em tempo de crise, deve ser a via mais conveniente para grandes ou pequenos contingentes de trabalhadores.
Mas a posição tomada pelo movimento, de manter os braços cruzados até que o governo acene com uma proposta aceitável para professores e funcionários das universidades em questão, é não somente prejudicial aos próprios trabalhadores das três instituições de ensino superior, mas principalmente para toda a comunidade universitária. Milhares de estudantes dos cursos de graduação e outros tantos que freqüentam aulas de especialização, mestrado e doutorado perdem, a cada dia de paralisação, horas-aulas que fatalmente farão muito falta no encerramento dos estudos. Aulas de recuperação nem sempre acrescentam aos alunos o que realmente eles precisariam conhecer para terem o direito aos seus certificados.
Assim, uma universidade de conceito no país corre o risco de ter o seu ensino comprometido, pois estará credenciando para o exercício da profissão um aluno que foi prejudicado por uma greve de 135 dias, e que foi obrigado a abrir mão de um aprendizado completo. Esta seria apenas uma das razões para que o bom senso prevaleça nas assembléias dos grevistas e nas propostas dos coordenadores do movimento. Se a proposta do governo não satisfaz a categoria, que os anseios da comunidade, integrada por pessoas que como contribuintes são financiadores da educação, sejam respeitados. É hora de encerrar a greve. E que seu longo período de duração, em vez de ser usado como um recorde positivo, passe a valer como uma lição para que eventuais ocorrências parecidas não gerem dúvidas entre a sociedade, sobre o acerto ou não das decisões aprovadas nas assembléias.





