Pontos que doem nos parlamentares é serem vaiados publicamente ou verem seus nomes citados nos veículos de comunicação por inoperância. Quando a citação é coletiva, na forma de Congresso Nacional, Assembléia Legislativa, Câmara de Vereadores, ou a simples nominação de políticos, eles pouco se importam, até porque não costumam dar ouvidos à opinião pública. Mas quando mencionados nominalmente, eles reagem e se manifestam. Porque o nome estampado em letra impressa ou jogado no éter pelos meios eletrônicos é um bálsamo quando cercado de referências elogiosas, mas um dardo ferino se for ao contrário.
Tivemos agora o exemplo, com o artigo de uma professora universitária publicado segunda-feira neste jornal, referindo-se à falta de apoio à Universidade Estadual de Londrina, atualmente em greve, e fazendo cobranças diretas a vários parlamentares federais e estaduais que representam esta região, e citando os seus nomes. Foi o suficiente para, ao menos três deles, ocuparem o espaço inteiro da Página do Leitor, ontem, e responderem à professora.
Não importa, no momento, avaliar o conteúdo do artigo e das respostas dos parlamentares, e sim a pronta reação dos políticos quando a população os cobra e cita publicamente os seus nomes. Viu-se que este é um pelotaço que toca doloridamente os seus ‘‘calcanhares de Aquiles’’, o ponto fraco.
Há então que usar desse meio de cobrança com mais frequência, que assim os próprios políticos saberão que existem, que a opinião pública os conhece e acompanha os seus passos, e os cobra, e assim, desnudados, eles despertem para as responsabilidades da função. Centenas de opiniões são publicadas diariamente contra desmandos, inoperâncias, inqualificações e desatenções governamentais e contra ausências e omissões parlamentares, em questões de interesse público, e apenas um artigo de uma professora acorda imediatamente três dos deputados citados e os obriga a virem a público e prestarem contas.
É assim que a opinião pública deve agir: cobrando dos administradores públicos e dos seus eleitos nos parlamentos, de todas as formas possíveis, recepcionando-os nos aeroportos, citando publicamente os seus nomes – com críticas ou aplausos – enfim mostrando presença. Não há que ser subjetivo nem atemorizar-se, e nem é preciso faltar com a serenidade e a polidez, mas os cidadãos precisam ser mais frequentes em suas cobranças aos homens públicos e usar de mais rigidez com eles, porque é assim que se exerce e se consolida a cidadania.
Os governantes precisam, mais que respeitar, temer o povo. Os espaços abertos deste jornal são tribunas livres de que os cidadãos devem servir-se, da mesma forma que estão disponíveis para os políticos apresentarem as suas idéias e as suas defesas. O que deve ser constante é a vigilância do povo sobre a ação governamental e parlamentar, para que a participação popular não se restrinja ao minuto em que o eleitor comparece para votar.
A democracia se sustenta na ação e reação do povo, porque, do contrário, mesmo em regimes tidos como democráticos a ditadura oficial pode se instalar. No Brasil, pela pouca frequência da manifestação pública ante os atos dos governos e parlamentos, estamos vivendo quase isso, em todos os níveis governamentais. Enquanto a sociedade mantém-se calada os homes públicos imaginam que tudo vai bem e que eles são ótimos governantes.
Vê-se que ante um artigo de jornal, com os nomes citados, eles se pronunciam. Isso os mantém despertos e atentos. Quando a população decidir se mobilizar vigorosamente pela defesa de seus direitos e interesses, de forma sustentada e persistente, fará as coisas mudarem de rumo e melhorará a qualidade dos políticos. O que ocorre é que eles estão sendo deixados muito soltos, com pouca cobrança. E assim, negligente, a própria opinião pública acaba perdendo consciência de seu poder e sem direito de queixar-se depois.

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