OPINIÃO DA FOLHA
Abandonar comandos da greve
A declaração do reitor da Universidade de Londrina (UEL), Pedro Gordan, de que está cansado da situação de greve e que abandona as negociações entre os comandos grevistas e o governo, coloca a instituição em estado de abandono no que respeita ao aspecto político do caso. Já não há interlocutores. Em Maringá e Cascavel e situação não é tão diferente, com a diferença de que, na primeira cidade, os grevistas resolveram cuidar da manutenção do campus, que não sofre deterioração como o de Londrina.
Ao menos quanto a esse detalhe, o reitor da UEL diz que, agora, vai se dedicar à recuperação dos danos que se agravaram com as chuvas e temporais valendo-se das condições de que dispõe, porque os comandos da greve estariam impedindo os servidores da área de trabalharem nessa tarefa. A oportunidade recomenda, a propósito, que o Poder Público municipal colabore nesse trabalho e que a comunidade e os universitários participem, num mutirão de boa vontade pela preservação física de suas casas de estudo.
É desalentador constatar a que ponto chegou a situação, antes de tudo pela imprevidência do governo estadual em não dar a devida atenção às universidades públicas e aos seus quadros, que há seis anos não têm reajuste salarial. Pressionado, agora o governo anuncia uma reestruturação nos planos de carreira, cargos e salários, mas depende de prazos, pois a Assembléia Legislativa tem de aprovar essa medida que implica em mudança orçamentária mas está em recesso. Uma solução definitiva, portanto, só ocorrerá em abril.
Este é o aceno do governo, que, se deixou as coisas correrem negligentemente, agora tem que tomar medidas de emergência, com um rastro de prejuízo deixado pela greve. Mas é o aceno, e os comandos precisam determinar o fim da greve e estabelecer uma trégua. Fora desta solução, tudo o que fizerem será prejudicial aos alunos e às universidades e caracterizará ausência de responsabilidade.
Os professores e servidores sempre contam com o apoio da população quando a reivindicação é melhoria salarial, mas o que se observa é que a sociedade já está repudiando esta greve e também mostra sinais de exaustão. Sabe-se que também entre os servidores em greve há correntes que defendem a volta ao trabalho, sem prejuízo das negociações, mas impera o poder dos comandos, sempre muito bem articulados.
O que a comunidade não pode aceitar é que um punhado de líderes, nada comprometidos com as universidades, com os estudantes e com os valores maiores envolvidos no processo, assumam o domínio dessas instituições e as mantenham como reféns. Sindicatos não têm vínculo com as universidades e são corpos estranhos à vida acadêmica. Mas são eles que têm as três universidade sob controle, no momento.
Recuar, estrategicamente, não significa capitular e sim usar da sensatez, mas parece que isto está faltando na mentalidade dos comandos grevistas, sempre mais ufanos do triunfalismo de um movimento grevista do que da sabedoria das negociações. Quase 38 mil universitários estão dependentes da palavra de ordem de meia dúzia de dirigentes sindicais. Por isso o apelo que se faz é que os grevistas sem recuar na reivindicação e sem perder de vista a promessa do governo abandonem esses comandos e retornem ao trabalho.





