OPINIÃO DA FOLHA
Greve e responsabilidade
De um lado, professores e servidores com direito a melhoria salarial, de outro um governo imprevidente, e no meio três universidades estaduais paralisadas por um movimento grevista. O governo afirma que só reestruturará o Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) quando os grevistas retornarem ao trabalho. Esta é a proposta governamental. Para executá-la, será necessário alterar o orçamento de 2002, o que dependerá de aprovação também da Assembléia Legislativa, atualmente em recesso, que termina no mês que vem. Aprovado, o novo PCCS só entrará em vigor no mês de abril.
Não há muito que discutir, e a sensatez recomenda que os grevistas façam uma trégua e aguardem. Três universidades de Londrina, Maringá e Cascavel não podem ficar à mercê da intransigência de uma minoria de comandantes grevistas, porque há uma imensa maioria de estudantes prejudicados, que perdem o ano escolar se a greve não se encerrar imediatamente e as aulas não forem repostas nestes próximos dois meses. Não bastasse o prejuízo na área acadêmica, um vestibular foi temporariamente suspenso embora houvesse condições de realizá-lo e a falta de manutenção física está deteriorando instalações, caso da universidade de Londrina.
Uma funcionária da instituição, que por temor não quis se identificar, informou que um grupo de servidores foi convocado para fazer reparos, mas o comando da greve teria impedido a continuidade do trabalho. Se, na Universidade de Maringá, os grevistas resolveram cuidar da manutenção das instalações do campus, parece que em Londrina está acontecendo o contrário. Se isso for verdadeiro, há que responsabilizar criminalmente os comandos, porque o patrimônio público não lhes pertence e eles não podem transformar o campus em refém. É preciso criar uma força-tarefa de emergência para evitar a deterioração das instalações, ainda mais prejudicadas pelas chuvas da temporada e que danificaram telhados, entupiram calhas, inundaram salas e descolaram tacos, afora outros danos.
Se, de um lado, o Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos intransige na possibilidade de uma trégua, encontra pronto apoio do Sindicato dos Professores, que respalda a posição dos comandos grevistas e proclama a frase lapidar áde que os grevistas estão unidos. Prevalece a teoria do quanto pior melhor. Mas se a greve nas universidades é melhor para as lideranças sindicais, não é para os 36.500 universitários das três escolas.
Literalmente, as três universidades estão cativas dos comandos grevistas, porque são eles que manipulam e intimidam a massa filiada e exercem a prática antiga na denominação mas sempre presente do patrulhamento ideológico. A paralisação que agora ocorre é, pois, antes de tudo ideológica, pois esta é a doutrina que a sustenta.
A sociedade, representada pelos alunos prejudicados, pelas respectivas famílias e por todos os segmentos envolvidos, se de há muito nutre descontentamento com o governo, já começa a repudiar os grevistas pela continuidade do movimento, pela falta de responsabilidade diante da situação criada e pela inabilidade de suas lideranças em negociar trabalhando.





