OPINIÃO DA FOLHA
No emprego a solução
Não há solução melhor para combater a onda de violência senão o emprego. A prática tem mostrado que quando os menores infratores são retirados das ruas e assistidos, por meio de alguma forma de emprego ou ocupação, eles começam a recuperar-se e declaram preferir a nova vida que a da delinquência. Se isso se dá com os menores, certamente também acontecerá com os adultos, embora a existência de casos mais problemáticos.
Londrina, cidade outrora pacífica, onde era quase nula a estatística dos delitos contra o patrimônio, agora ostenta números alarmantes. Ontem a Câmara de Vereadores convocou reunião de emergência para discutir a escalada da criminalidade. A conclusão a que os vereadores chegaram, com base em levantamento, é que o aumento da violência está ligado ao tráfico de drogas e que é grande o percentual de menores envolvidos.
Entre as providências propostas está a criação de um fórum permanente de segurança, o mapeamento dos locais de venda de drogas, a obtenção de mais recursos para o combate à criminalidade e a intensificação de um trabalho conjunto entre a polícia, a promotoria pública e a sociedade.
Entre as vozes sensatas ouve-se que a violência contra os cidadãos só será combatida quando forem atacadas todas as outras violências, como o desemprego e a desigualdade social. Este é o ponto: sem emprego e com fome o homem entra em desespero e comete barbaridades, até o ponto em que isso se torne um procedimento comum. Se a fome é o monstro que o aterroriza, tudo o mais não o assusta, como a própria violência que pratica, a polícia, a prisão e mesmo o risco de ser morto. A fome, já se disse tanto, é a pior das conselheiras.
É preciso, então, que todas as inteligências se mobilizem na busca de soluções, mas o emprego da força apenas amenizará o problema, e assim mesmo temporariamente, porque o mal persistirá. Se o assaltante é preso, a família continua na mesma dependência, e ele será mais um que fugirá amanhã, porque os presídios estão lotados e na maioria com segurança precária, afora as permissividades do sistema carcerário.
A solução é a sociedade organizar-se e dar emprego para essa gente. Um ex-infrator empregado será um cidadão recuperado ou em caminho de recuperação. Em nada resultará aumentar o policiamento, construir mais prisões e reforçar as existentes se o problema social não for solucionado.
Londrina, até anos recentes orgulhosa de não possuir favelas, agora está rodeada de assentamentos, sem nenhuma estrutura a não ser a existência do ar para as pessoas respirarem. Luz elétrica não existe, a não ser a das gambiarras, a água é escassa e poluída, a imundície é sufocante e as chuvas e temporais destroem facilmente os barracos e deixam as pessoas ao desabrigo.
Se cada empresa admitisse um, mesmo que sem habilitação, estaria eliminando um assaltante ou um assaltante potencial; se cada escritório ou instituição contratasse mais um serviçal, se cada família com possibilidade admitisse mais um ajudante doméstico, e se as empresas deixassem de demitir, o problema começaria a caminhar para uma solução. Naturalmente que todos enfrentam dificuldades, todos pagam impostos para obter bem-estar e segurança, mas será melhor uma cota de sacrifício a mais do que sofrer prejuízo ainda maior pela presença dessa gente desempregada rondando nossas empresas e nossas residências, pronta para assaltá-las e a nos enfrentar e mesmo matar.
Só mediante uma campanha patriótica e humanitária desse porte o problema da delinquência será solucionado. As autoridades que façam a sua parte, mas que a sociedade não fique omissa. Apenas clamar por policiamento e protestar não significa participação. Que todas as demais campanhas e posições da cidadania continuem, contra os desmandos governamentais e contra as negligências públicas que levam a problemas de estagnação econômica e de subdesenvolvimento, de desemprego e pobreza, mas que a sociedade faça a sua parte através de providências menos barulhentas e mais fecundas. O Poder Público, através de seus serviços sociais, deve apresentar um quadro dos cidadãos desempregados, e a sociedade que os absorva, cada qual dentro das possibilidades, mas que ningúem se omita.





