OPINIÃO DA FOLHA
Subsidiar os Povos
O ano de 2001 ficará na história! Muito já se falou sobre isso, principalmente pelo fato de 2001 ser o primeiro ano deste terceiro milênio. Acontecimentos mundiais reforçaram essa inicialmente hipótese agora, sem dúvida, uma realidade e os ataques terroristas de setembro às torres gêmeas, em Nova York, infelizmente servem como principal avaliador da importância desse início também de novo século, para a história da humanidade. Disse-se, inclusive, que o tempo da história poderia ser dividido, a partir daquele momento, em antes e depois do fatídico 11 de setembro de 2001, quando a maior potência mundial viu-se fragilizada diante da ousada ação dos terroristas comandados por Osama bin Laden. Esperou-se, daqueles atos, o início da Terceira Guerra Mundial, mas a história, desta vez felizmente, foi complacente com os povos do mundo e o apelo norte-americano aos governantes dos vários países que se enfileiraram para dar apoio passou pouco do discurso. Só o povo afegão sofreu e sofre as consequências, embora se vislumbre, de acordo com a propaganda oficial, uma nova perspectiva para essa população a partir do desmonte do poderio Taleban.
Ainda no cenário mundial, israelenses e palestinos mostraram à humanidade que a busca da paz, para ambas as partes, continuará ao menos no início do atual milênio uma incógnita. Mais do que isso, configura-se como um saldo negativo no balanço do empenho que se esperava, visando o fim ou o início de negociações mais profundas para encerrar o conflito. E Índia e Paquistão, para aumentar a característica de ano pesado merecido por 2001, encerram dezembro em desentendimento.
Como não foram somente as guerras os acontecimentos que mancharam a história nestes últimos 12 meses, a crise econômica, política e social na Argentina também adentra o Ano Novo com consequências que não atingem apenas a população do país vizinho. Ao contrário, estende seus tentáculos para toda a América Latina e atravessa os mares, causando preocupações em todo o mundo.
Um velho jargão esportivo, entretanto, tenta conscientizar que a verdade deve, em qualquer circunstância, ser dita. ''Não adianta tapar o sol com a peneira'', diziam consagrados narradores de futebol. E, sendo assim, o Brasil do ''apagão'', com a não solucionada crise de energia que embora amenizada temporariamente deverá atormentar o País enquanto soluções sérias não sejam providenciadas , é outro fato que fica carimbado, especialmente para as populações das regiões mais afetadas pelo racionamento, com a marca vexatória da incompetência política e administrativa que em algum momento, seja neste ou em outros governos, ocorreu. Junto aos racionamentos e aos apagões, o povo brasileiro sofreu em 2001 os graves efeitos da crise econômica mundial, cuja consequência mais visível foi a disparada do dólar e a quebradeira de empresas, com demissões acordando os trabalhadores de sobressalto e a incerteza, nos momentos mais críticos, mantendo os empresários acordados.
Por sorte, sem que os governos tivessem gerenciados soluções para aliviar os efeitos dessa crise, o Brasil encerra o ano em situação menos crítica, ao contrário da vizinha Argentina. E dizem, que por providência Divina, o Brasil também fecha estes 12 meses sem os solavancos que atormentam, entre outros, países como o Afeganistão, a Índia, o Paquistão e a Palestina, com seus conflitos intermináveis. Mas não escapa, provavelmente por culpa do próprio homem, que descuida da natureza, de fatores climáticos que desabrigam e matam, como ocorre agora no Rio de Janeiro. Assim, resta torcer que todos os acontecimentos ruins deste ano que se encerra sejam usados como lições, aqui e no restante do mundo, para que deles sejam extraídos subsídios que permitam, aos povos e aos seus governantes, a busca de um mundo melhor.





