OPINIÃO DA FOLHA
O negócio do turismo
Embora a notícia de que o Paraná tem as praias mais limpas do País, isto se dá porque as outras estão sujas demais, pois são precárias as condições do litoral paranaense se pensarmos em termos de exigências do turismo internacional. Os brasileiros, acostumados a baixos padrões de qualidade, reclamam mas vão se conformando com as condições, e assim os governantes também desleixam e os velhos problemas persistem. Há precariedade na coleta e tratamento de esgotos e há muitos lugares impróprios para banho, no litoral do Paraná. Outro problema é a escassez de água potável.
Face aos atentados de setembro nos Estados Unidos, ao clima de guerra e tensão vividos hoje no mundo, à alta do dólar no Brasil, muitos brasileiros trocaram as viagens internacionais pelo turismo interno. Isso passa a exigir mais infra-estrutura instalada, que ainda muito deficiente, embora as praias brasileiras que têm 6 mil quilômetros de extensão sejam as mais belas do mundo e utilizáveis o ano inteiro, descontando-se o período de inverno no litoral sul.
Pensar turismo apenas como lazer das pessoas já deveria ser uma forte razão para equipar melhor as praias, para onde acorrem milhões de turistas. Mas o turismo é, ademais, um grande negócio, que caminha para ser o mais importante do mundo, doravante, porque os avanços da tecnologia exigirão, cada vez mais, menos dias de trabalho, e as pessoas terão de encontrar fórmulas de preencher o tempo ocioso.
Turismo e recreação já são a maior preocupação dos estudiosos do comportamento humano, prevendo-se que muito breve o tempo de trabalho, nos países desenvolvidos, não passe de quatro dias semanais, com tendência de irem diminuindo. Há, pois, que buscar soluções para o que já se prevê se converta no estresse do ócio.
Países com grande potencial turístico como o Brasil á com seus 365 dias anuais de tempo bom, dono de regiões paradisíacas e do maior patrimônio ecológico do planeta, que é a floresta amazônica serão os mais procurados. Mas estamos ainda mal estruturados e sem grandes projetos de melhoria da infra-estrutura turística e de recreação. Tudo o que ocorre em melhoramento nessa área parte da iniciativa privada, o que é bom, mas há exigências paralelas que devem partir do Poder Público.
A previsão dos operadores de turismo é que o faturamento da indústria turística no Brasil salte para R$ 7,2 bilhões no encerramento deste ano e que 2002 seja ainda melhor. Esse setor inevitavelmente crescerá, mesmo com os atrasos das providências públicas. O fato de o Brasil ser um país pacífico não obstante os riscos da violência urbana e onde o dólar supervalorizado tem maior poder de compra também pesará na escolha dos turistas estrangeiros. E o mundo ainda não descobriu a Amazônia em sua plenitude e nem o Brasil se deu conta do que essa riqueza turística representa. A exploração do turismo sustentado nessa região ímpar é um privilégio exclusivamente brasileiro.
A previsão interna é de que, até o Carnaval, 50 milhões de brasileiros viagem pelo País e que 6 milhões de turistas estrangeiros visitem o Brasil no ano que vem. Os pacotes turísticos começaram a ser oferecidos a preços mais razoáveis, diferente dos primeiros momentos pós-atentados, que afastaram a maioria dos turistas das viagens internacionais e os fizeram olhar para o turismo interno.
Dono de praias não muito atraentes mas agraciado por possuí-las porque este não é um privilégio de todos os Estados e por ter a graça de ser dono das Cataratas do Iguaçu (referência turística universal), o Paraná precisa acompanhar a vertente do turismo, que cada vez vai ganhando mais força e será o grande negócio em que se sustentará a economia mundial. Quem se atrasar perderá.





