Finanças equilibradas


Foi uma boa notícia a anunciada pelo prefeito Nedson Micheleti de que no ano de 2002 a Prefeitura de Londrina estará com as finanças equilibradas. Mas não apenas isso, e sim que contará, no correr do próximo exercício, com uma disponibilidade de R$ 20 milhões para realizar obras.
A informação, além de otimista, demonstra que essa perspectiva é resultante da economia gerada nos gastos públicos, neste ano que finda e primeiro do mandato dos novos prefeitos. O chefe do Poder Executivo do segundo mais importante município do Paraná fala em economia gerada, o que significa política de enxugamento da máquina administrativa, embora tenha havido também uma economia motivada pela paralisação de investimentos em novas obras, conforme programa estabelecido pelo prefeito, para este primeiro ano.
Certamente que administrar Londrina não é tarefa fácil, porque se há arrecadação correspondente às dimensões da cidade, há também problemas paralelos idênticos. Londrina é sede de região metropolitana e pólo de vasta população regional que usufrui de seus serviços e de sua estrutura urbana á com isso, naturalmente, também gastando aqui e irrigando a economia local mas não contribui com impostos, como por exemplo o IPTU.
Por ser um centro de atração regional, absorve também maior contingente populacional não-produtivo e oneroso para o Poder Público. São os desempregados, sem dinheiro, sem moradia e com baixa qualificação profissional. Este é um preço que a cidade grande paga por destacar-se entre as demais e acenar com ilusória disponibilidade de emprego.
Depois da desastrada administração anterior, envolta em denúncias de corrupção e que resultariam na cassação do então prefeito, soa ao menos alentador ouvir do atual chefe do Executivo municipal a afirmação de que no ano que se inicia haverá dinheiro em caixa, destinado a obras. Cuidar da cidade é o projeto do prefeito, na segunda etapa de seu mandato, e a cidade está realmente necessitada de cuidados.
É preciso dar atenção especial à questão do tráfego urbano, que reclama reformulação geral, pois esta cidade se move sobre rodas, e grande número de novos veículos entra mensalmente em circulação. Outro problema sério é a existência dos assentamentos, na periferia, onde habitam populações sem renda mas necessitadas de consumir e de usufruir dos serviços básicos, e isso o município acaba tendo que prover. Os roubos, assaltos e crimes, que se intensificaram na cidade outrora orgulhosa de possuir baixo índice de criminalidade á são resultantes desses fatores sociais, porque a fome leva o indíviduo ao desespero e a ações extremadas.
Políticas de motivação induzirão a população a investir na melhoria da cidade. É papel do administrador público atuar em estreita ligação com a comunidade, incentivando a criação de parcerias com as autoridades e as lideranças comunitárias. Mas sobretudo motivar os cidadãos a que melhorem seus próprios negócios e a estrutura física de seus estabelecimentos, com isso melhorando a qualidade dos serviços e gerando empregos com a própria dinâmica de reformulação estrutural e visual da cidade.
Já dizia o prefeito Milton Menezes que foi um dos melhores administradores do município, e por isso reeleito que obras se faz com dinheiro mas sobretudo com vontade política.

mockup