OPINIÃO DA FOLHA
O Paraná vermelho e preto
A excelente campanha do Clube Atlético Paranaense no Campeonato Brasileiro encerrado ontem, com o título de campeão vindo ao Paraná, mostra, mais uma vez, que o futebol neste País de contradições econômicas, sociais e culturais é mais do que um espetáculo esportivo. É, por primazia, este esporte, ainda a chama que faz este povo vibrar e aquecer um cenário preocupante quando denúncias de corrupção envolvendo autoridades chegam diariamente aos tribunais. Mais do que isso, ao contrário de servir de ópio, como se dizia no passado, o futebol funciona como um bom canal de confraternização, quando torcidas das mais diferentes camisas envergadas por equipes paranaenses rivais uniram forças para torcer pelo clube que conquistou um título importante para o Estado.
O Atlético Paranaense é, desde a etapa do Brasileiro em que os demais times do Estado ficaram fora da disputa do título, o Paraná entrando em campo para defender as cores de toda uma população estadual. Não foram somente os membros da imensa torcida atleticana que viveram os momentos tensos e emocionantes da decisão. A eles se somaram os torcedores do Coritiba, do Paraná, do Londrina, do Malutrom e de tantos outros clubes. Quem jurou que jamais vestiria a marcante camisa vermelha e preta do Atlético quebrou seu compromisso sem se preocupar em estar sendo infiel ao time do coração. E, de fato, torcendo pelo Atlético, estes escreveram com letras maiúsculas, na história do futebol paranaense, que sobretudo no esporte o espírito de coletividade é fundamental quando o Estado vai à luta.
Enfim, uma boa causa. É disso que a população do Paraná precisa para estar sempre atenta e disposta a lutar. O futebol serve como um exemplo e o Atlético Paranaense, decidindo um título nacional, é a bandeira deste momento. Assim como foi, recentemente, a luta contra a privatização da Copel que, além de reunir num movimento amplo O Fórum Popular Contra a Venda da Copel cerca de 400 diferentes entidades estaduais, mobilizou toda a população em seus mais variados segmentos. Outros exemplos são expressivos e Londrina participa com um dos mais importantes deles. Na verdade, quando entidades londrinenses somaram suas forças e passaram a agir pelas ruas da cidade, para exigir a moralização na administração pública municipal, manchada na gestão anterior com uma série de denúncias de mau uso do dinheiro público, lançaram elas as sementes de uma espécie de movimento que há anos estava adormecida no Estado.
Desta forma, embora envolvidas em questões localizadas, essas entidades reacenderam o espírito de luta e o desejo, que é comum à maioria, de arregaçar as mangas da camisa para brigar pelo que é certo, justo e não pode ser desvirtuado. E serviram como exemplo a todo o Paraná, ao estender ao Estado as fagulhas dessa chama, que a partir de agora deve permanecer sempre evidente aos olhos das autoridades. Essa semente germina agora em Curitiba, onde a população da capital, representada por duas entidades, também se envolve em movimento parecido para exigir que a Justiça apure denúncias de corrupção na administração municipal.
Tanto quanto no futebol que ontem após o apito final do juiz e a certeza da vinda do troféu para o Estado, reuniu não só paranaenses, mas torcedores de diferentes camisas nas ruas de Curitiba e do restante do Estado , o Paraná deve vestir a camisa de suas lutas. A do momento tem cores marcantes. É vermelha e preta e causa orgulho a todos. Serve como um presente de Natal para esta população pujante e capaz de conquistar vitórias num campo de futebol, nas arquibancadas de um estádio, nas praças públicas e nos tribunais.





