Uma política industrial flagrantemente contemplativa para o setor automobilístico, face aos incentivos expressivos concedidos às montadoras que vieram ao Paraná, poderia, anos depois de consolidada, gerar pontos positivos para o governo do Estado caso os resultados esperados à época em que foi concebida se confirmassem. Não foi o que ocorreu no Paraná, por mais que os números oficiais tentem convencer o contrário à população.
  Assim, a expectativa de geração de empregos ocorreu muito aquém. Tanto que o panorama atual dos municípios outrora beneficiários desse desenvolvimento, na Região Metropolitana de Curitiba, é fruto de uma mudança que reflete passo atrás nas questões sociais, quando se almejava avanços. Isso sem levar em conta as arestas que se abriram no aspecto ambiental, cujos preservacionistas somam os efeitos negativos que um dia pesarão na balança avaliativa da administração pública que permitiu tais efeitos.
  Pois bem. Reportagem publicada na edição de hoje pela Folha avalia os oito anos do atual governo, cujo mandato está chegando ao fim. E informa que a equipe que assumiu com 70% de aprovação popular agora caiu para 26% em pesquisa de um instituto e 27% de outro.
  A política industrial impõe reflexos nesses porcentuais, não somente por culpa dos incentivos às montadoras. Houvesse benefício para as grandes indústrias, mas com igual tratamento para as empresas paranaenses, principalmente instaladas no interior do Estado. Esse tratamento isonômico existiu do ponto de vista do governo, mas não foi sentido por grande parte do empresariado paranaense, conforme reportagem já publicada por este jornal em edições recentes. E, com certeza, desequilibra o barco governamental, fazendo brotar água na pretensão que todo administrador tem de terminar seu mandato em alta.
  Outros fatores, conforme a reportagem de hoje, contribuíram para a queda de popularidade do governador. Mas, dentre eles, o que ele e sua equipe deverão levar como lição é aquela que sai da avaliação do cidadão do interior do Paraná. Incontestável, porque manifestada não por analistas políticos, mas pelo empresário e pelo trabalhador – e isso se faz nos intervalos do trabalho, nos balcões dos bares, nas filas dos bancos e do ônibus –, ela expressa que este governo esqueceu o resto do Paraná.

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