OPINIÃO DA FOLHA - Wal-Mart reafirmando posição
A rede de hipermercados Wal-Mart acaba de reafirmar sua disposição de instalar-se em Londrina, ao protocolar, na Secretaria Municipal de Obras, terça-feira, o pedido para construção do edifício. O procedimento ocorreu através da empresa proprietária do terreno escolhido pela Wal-Mart, na rua Quintino Bocaiúva, onde se localizava o antigo Colégio Londrinense. Essa área foi vendida à multinacional mas a transação não foi finalizada porque a Prefeitura a impediu (isto em agosto do ano passado) por pressão da concorrência. Para justificar o ato desapropriatório o prefeito Nedson Micheleti acenou com a construção, no local, do Teatro Municipal, que é anseio antigo de Londrina. Essa medida impeditiva causou perplexidade, porque aquele terreno é caro demais para sediar essa casa de cultura e a Prefeitura não dispõe de verba para adquiri-lo e nem tinha em seus projetos essa caríssima obra. Ademais, em final de mandato, a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite que a atual administração transfira para a próxima um compromisso financeiro.
No mês passado, o juiz da 7Vara Cível, atendendo a ação popular, suspendeu, através de medida liminar, o decreto do Prefeito, e até o momento a Prefeitura não recorreu da decisão. Espera-se que não o faça e aproveite a oportunidade para deixar que os prazos se esgotem e, assim, se livra de uma atitude precipitada e que, por quase unanimidade dos manifestantes, foi condenada pela população. Que, se deseja o teatro, deseja antes disso a vinda daquela rede, por ora sem opção por outro local senão aquele. Desnecessário dizer que um ato como esse do poder público poderia ter desencantado a vinda da Wal-Mart, embora, naturalmente, a empresa já havia pesquisado a praça e decidido instalar-se em Londrina. De qualquer modo, um ato falho da Prefeitura, que deve promover gestões para estimular o crescimento da cidade e não agir em contrário colocando obstáculos para impedi-lo.
Dois fatos acenam agora para a oportunidade de a Prefeitura rever sua posição: o ingresso do projeto da edificação e a liminar da Justiça. Faltando seis meses para encerrar-se o mandato da atual administração, já não há tempo para obtenção do dinheiro e bancar a compra do terreno, e muito menos para a construção do teatro. E como Londrina nunca rejeitou a vinda de qualquer empresa e nem enfrentou situação em que grupos concorrentes interferissem junto ao poder público e obtivessem atendimento, o episódio despertou o interesse da comunidade e colocou o prefeito em delicada posição. Nada porém que não possa ser revertido, se prevalecer o bom senso.





