OPINIÃO DA FOLHA - Vitória contra a fome
A América Latina deixa de ocupar os últimos lugares na fila e passa a ser exemplo, pelo menos no combate à fome. É o que mostra o relatório anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), cujo resultado mais surpreendente é o do retrocesso de outros continentes e a consequente falta de possibilidade de atingir o objetivo fixado pelos chefes de Estado e de governo, na Cúpula Mundial sobre a Alimentação, realizada em 1996: reduzir pela metade o número de pessoas subnutridas até 2015.
De acordo com os técnicos das Nações Unidas, o desempenho positivo da América Latina e também do Caribe tem como uma das causas os métodos acertados para reduzir a fome. Neste aspecto, o Brasil é citado como modelo ao lado do Panamá e do Haiti. Mas são, na verdade, 22 países que conseguiram alterar a tendência contra a fome, incluindo alguns cuja expectativa jamais seria das melhores como Bangladesh, Haiti e Moçambique.
Os levantamentos da FAO relativos ao biênio 1999-2001 são de que existem 842 milhões de pessoas subnutridas no mundo. O quadro negativo não se refere apenas aos países pobres ou em desenvolvimento, pois embora em menor quantidade, cerca de 10 milhões, os países ricos também têm parcelas da população em situação caótica. O quadro geral seria este: 34 milhões dos subnutridos estão nos países em transição para a economia de mercado e a grande maioria, 798 milhões, nos países em desenvolvimento.
A FAO ainda destaca que 19 países, com ênfase para a China, conseguiram reduzir o problema da fome na década de 90. Em outros 26 países a situação se agravou, aumentando em 60 milhões, no período, o número de pessoas subnutridas.
Sem dúvida, no Brasil o programa Fome Zero do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ainda recente, contribui para o resultado positivo. Embora projetado para ter um alcance muito além do emergencial, com cursos de capacitação e outras formas de mobilizações comunitárias, visando inclusive alternativas de renda, o simples ato de distribuir alimentos para as famílias carentes já contribui para a reversão de um quadro negativo.
Isto só serve para mostrar que a situação era extremamente grave. Só houve avanços, muito mais ainda tem que ser feito. Portanto, os números do relatório anual da FAO, mais do que causar otimismo, devem ser usados para subsidiar novas ações.





