Sempre que alguém propõe um exame sobre a programação da televisão (e agora também da internet), vozes defensoras do liberalismo se levantam e acenam com os perigos de implantar-se a censura prévia, associando esses temores aos tempos das ditaduras, quando o noticiário dos veículos de comunicação era monitorado pela polícia política e não permitia críticas. Hoje já não se cogita de censurar notícias e sim da violência divulgada principalmente pela TV. Na esteira disso entra o sexo, já banalizado na mídia eletrônica e constituindo ingrediente forte das novelas. Ontem este jornal levantou mais uma vez a questão, reportando-se ao projeto do deputado federal paranaense Hidekazu Takayama, que propõe a veiculação de alertas em salas de conversa sobre sexo na internet e a obrigatoriedade de os provedores mandarem mensalmente um relatório a quem paga a conta dos sites acessados, que são os chefes de famílias.

Certo é que a maioria da opinião pública condena o excesso de violência hoje presente na televisão, na internet e em outros sistemas de comunicação. Se há os que a apreciam, principalmente pessoas de mais baixo nível cultural e econômico duas condições que se associam e haja pais que simplesmente abandonam os filhos diante da tevê todo o tempo, a reação popular contra esses abusos é quase geral. Fato sabido é que, se fosse feita uma tomada geral de opinião, a população brasileira aprovaria um selecionamento prévio do que tais veículos exibem. Não se sabe, portanto, o que temem os arautos das liberdades públicas, se o que ocorre não é uma proposta de censura ao direito da informação e sim à licenciosidade, que extrapola limites.

Se o sexo explícito, sobretudo nas novelas (de vastíssima audiência), é mais um fator de constrangimento do que propriamente uma violência, o grande mal reside na sublimação dos ardis e dos lances de esperteza e velhacaria como fatores de triunfo na vida, e o cruel ''reality show'' das desventuras humanas que os programas policiais mostram, com grande riqueza de detalhes e todos os ingredientes de espetáculo. Essas cenas, que já tomam conta dos noticiários do meio-dia e do começo da noite, semeiam densas vibrações e deprimem as pessoas, não estando afastada a possibilidade de induzi-las a comportamentos semelhantes quando razões e circunstâncias sejam afins. Assim como se controla a propaganda, por normas legais e por princípios éticos, é defensável um reexame da programação de tevê, rádio, cinema, internet, e também dos horários para certas exibições. Deixa de ser censura algo que a maioria dos cidadãos deseja.

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