Uma sociedade só pode ser considerada evoluída quando todos os cidadãos recebem tratamento justo e igualitário. Infelizmente não é o que vem ocorrendo no Brasil que, mesmo com os avanços e conquistas obtidos pelas mulheres nas últimas décadas, elas continuam sendo vítimas de violência. O pior: grande parte desses crimes é cometida por seus companheiros íntimos, com quem deveriam, no mínimo, ter uma relação de confiança e respeito.
Esse cenário também expõe a fragilidade do sistema de segurança pública, uma vez que nem mesmo as medidas protetivas judiciais impedem esse tipo de ocorrência. Como a determinação fica apenas no papel e não há qualquer fiscalização efetiva, fica fácil aos homens descumprirem a ordem e atacarem suas companheiras. Casos como os registrados em Londrina e região nas últimas semanas são frequentes em todo o País.
Recente pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada intitulado "Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres" apontou que o Paraná é o Estado da Região Sul com maior número de mortes violentas contra mulheres. Para cada 100 mil mulheres, 6,49 são mortas, enquanto a taxa nacional foi de 5,82 mortes por 100 mil mulheres. De 2001 a 2011, estima-se que cerca de 50 mil feminicídios, média de 5 mil mortes por ano, ocorreram no Brasil.
Se na percepção da população e das autoridades, a quantidade de casos aumentou devido à implantação e divulgação da Lei Maria da Penha, também é do censo comum que mulheres que denunciam seus parceiros têm mais chance de serem assassinadas. Resultado ainda de uma cultura machista, o que é inaceitável. Se parte do problema é fruto de uma educação equivocada, é importante que os pais repensem a formação das gerações futuras. Ensinar o respeito às diferenças e a igualdade de todos os seres humanos, independentemente de sexo, cor da pele ou religião é fundamental.
Também é preciso cobrar mais efetividade da Justiça. Se as mulheres clamam proteção, é importante que o Estado consiga ampará-las ou continuaremos assistindo a esses tipos de crimes.

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