OPINIÃO DA FOLHA - Vantagens do associativismo
A Folha Rural de ontem, ao publicar reportagem sobre produção de laranja em grupo, em Nova América da Colina, mostra como são ricas as opções da agricultura norte-paranaense e como o associativismo de pequenos e médios produtores pode levar ao sucesso. A história como de muitas outras semelhantes é do agricultor Celso Oshima, que, com cinco colegas, encontrou nessa fruta a oportunidade de produzir bem e com qualidade, alcançar alto grau de modernização, mercado comprador e, naturalmente, ganhar dinheiro.
Se a cultura em escala alavanca o desenvolvimento do Paraná, com safras cada vez mais expressivas, relato como este do experimento com a laranja demonstra que, quando há um bom propósito e se faz a coisa certa, os bons resultados aparecem. Foram destinados apenas quatro alqueires ao pomar, que começou tímido, e a seguir os produtores organizaram-se, a idéia foi se expandindo e hoje são 40 deles de Nova América, Assaí, São Sebastião da Amoreira e Cornélio Procópio reunidos num grupo e explorando 100 alqueires de cultivo. Eles cuidam não só da produção mas também da comercialização.
A produção não tem fim industrial mas destina-se ao consumo direto, in natura, isso significando preocupação com o consumidor, que exige qualidade e boa apresentação da fruta. Sabedores disso, esses pequenos agricultores criaram um packing house e estruturas de classificação e comercialização, de forma simples, eficaz e econômica. Eles contam com apoio da tecnologia, destacadamente da Emater, órgão de extensionismo rural da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, e operam atentos também à preservação ambiental.
O sistema de associativismo, em médios grupos e áreas, não é novidade no Paraná, pois já existe com outros segmentos de produção. É um modelo que vem dando certo. Trata-se no mais dos casos de empreendimentos alternativos, sem prejuízo de outros cultivos. Esse produtores compram insumos em grupo, pesquisam mercados, eles mesmos produzem, empacotam e entregam, preocupados também com a satisfação do consumidor. O grupo de Nova América já pensa em ampliar o número de associados e da área, melhorar as equipes de venda e criar um selo de qualidade, de forma a que sua laranja seja identificada e ganhe preferência na disputa de mercado.
O diferencial é a qualidade, com frutos sem residuais nocivos e produção integrada, de forma a colocar o produto no mercado o ano inteiro. Certo é que é mais difícil ou quase impossível caminhar sozinho, diz um dos produtores, reforçando o ideal do associativismo por abranger intercâmbio de conhecimento e de informação e, sobretudo, estimular a motivação. Algumas das propriedades são acompanhadas pelo programa Redes de Referência para a Agricultura Familiar, do Governo do Paraná, que dá assistência em 200 propriedades do Estado. Vale repetir o chavão de que este é um dos aspectos do Paraná que dá certo.





