A votação para deputado estadual, no Paraná, será um teste para medir o grau de coerência do eleitorado, porque decisões importantes da Assembléia Legislativa resultaram em descontentamento popular, com a manifestação dos cidadãos de dar o troco, na eleição seguinte. As duas principais decisões foram a aprovação do modelo de pedágio que aí está e a votação favorável à venda da Copel, que contrariou toda a população paranaense. A proposta do pedágio ocorreu no primeiro mandato do atual governo, porém colocada em prática na atual gestão e, portanto, só agora os usuários sentiram a inconveniência desse tratado.
Recorda-se que os deputados nem sequer avaliaram que tipo de negócio estavam aprovando. Empolgaram-se com a idéia de privatizar as rodovias e, por ignorância acerca dos sistemas de pedágio existentes no mundo e pelo descaso com que tratam as coisas de interesse do Estado, 47 dos 54 deputados votaram a favor, como queria o governo. Alguns desses parlamentares hoje nem são candidatos à reeleição, mas a maioria sim, conforme mostrou reportagem publicada por este jornal domingo.
Verdade que, por ocasião da proposta governamental de implantar o pedágio, nem as representações de classes, nem os veículos de comunicação, nem a sociedade no geral, buscaram saber que contrato estava sendo assinado. Foi uma omissão generalizada, cujas consequências agora se fazem sentir amargamente. Incumbia aos parlamentares, antes de mais ninguém, haver-se alertado para a questão, e submetê-la a ampla discussão pública. Afinal, tratava-se de um negócio com validade para 24 anos e que resultaria em bitributação sobre os usuários de veículos, afora o fato de que eram entregues rodovias já prontas às concessionárias, com a liberdade de cobrarem a tarifa que quizessem, mesmo que nada houvessem feito para desfrutar desse privilégio.
Quanto ao episódio da votação da Copel, este foi vergonhoso, porque, mesmo conhecendo a contrariedade da população inteira, os deputados cederam ao canto de sereia do Palácio Iguaçu e, em troca de vantagens políticas, viraram as costas para o povo. Foi uma afronta. Por metade mais um dos parlamentares, a venda foi aprovada, só não se concretizando por falta de comprador. Esses mesmos parlamentares desrespeitadores da vontade pública agora valorizam o povo, pedindo-lhe votos para a reeleição. Os cidadãos cuja opinião nada valia no conceito dos deputados vendilhões, agora passaram a ser importantes, ao menos para o momento de votar. Então, agora é a hora de o eleitor mostrar, realmente, a importância que tem.

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