Toda a manifestada contrariedade de aliados do governo e o discurso das oposições com relação ao salário mínimo não têm nenhuma sinceridade, mas apenas oportunismo. Porque, em sã consciência, ninguém que domine um pouco o conhecimento da economia defende que esse salário simplesmente suba, como algo que possa ser estabelecido por decreto. Há muitos complicadores no meio do caminho, e quando o candidato Lula apregoava que ia dobrar o salário mínimo, se eleito, falava sem pleno conhecimento do que prometia. Se não se pode culpá-lo por quebra de promessa, deve-se lamentar que os governantes, ele incluído, não toquem realmente no âmago da questão, que é o sistema concentrador de renda vigorante no País e que dá pouca chance ao crescimento econômico. Se é certo que o salário é que impulsiona o desenvolvimento, não ocorrerá avanço algum sem o aquecimento da outra extremidade do processo, que é a empresa alimentadora de empregos e garantidora da renda do trabalhador.

Desonerar a empresa é um dos caminhos para acionar a economia e, por consequência, aumentar a oferta de empregos e o ganho de quem trabalha. A legislação e sistemas que regulamentam as relações de trabalho tangem duramente o empregador, e este é um ponto que não toca os governantes, porque eles não avaliam que para salvar o trabalhador há primeiro que salvar a instituição geradora de trabalho remunerado. Veja-se, por exemplo, o exorbitante valor das multas aplicadas sobre a empresa pelo Ministério do Trabalho e pela Previdência, incompatível com o regime de inflação baixa que vigora.

Pesados encargos sociais de toda ordem, que incidem sobre o empregador na pauta concernente à sua relação com o empregado, e a pesada carga tributária no geral, são verdadeiros abscessos que inviabilizam a saúde da empresa brasileira. E sem organizações empresariais saudáveis não há emprego e não há bom salário. Ademais, uma lei trabalhista arcaica e inadequada desestimula contratações, mas nenhum parlamentar (que é o legislador) ousa tocar nela e pensar reformá-la, temeroso do patrulhamento ideológico das forças retrógradas que, infelizmente, têm grande poder.

Desonerar as empresas de sanções abusivas será criar nelas fortes aliadas para a causa do desenvolvimento, o que representaria um impulso para o próprio governo em sua incumbência de municiar a cadeia produtiva e a nação, no geral, com a instrumentação legal de que necessita para alcançar aquela meta. As empresas compõem as bases, e as bases estão operando com escassez de meios e amarradas a sistemas que inviabilizam avanços. Na verdade, o que há não é falta de governo na presente fase crítica que o Brasil atravessa, mas excesso de governo, porque o sistema governamental tem demasiado poder de decisão sobre a vida produtiva nacional e não lhe dá fôlego para respirar, por causa da sanha arrecadadora, que suga e concentra renda e não mede consequências. Esse mesmo governo também não se move para promover as grandes reformas, que iriam abrir caminho para o avanço do sistema produtivo nacional e desaguar no inevitável progresso econômico e social. E então nem mais se discutiria salário mínimo, porque ele seria o máximo.

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