OPINIÃO DA FOLHA - Tortura e violência
Nos últimos dias o debate em torno da prática de tortura ganhou novos contornos. Depois da solução rápida apresentada pela Polícia Civil de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) para o homicídio da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, descobriu-se que quatro homens confessaram o crime depois de várias sessões de tortura. Essa prática, tão repudiada pela sociedade, ainda ocorre frequentemente no Brasil? A resposta, infelizmente é positiva e comprovada por meio de órgãos de defesa dos direitos humanos.
No entanto, muito mais do que iniciativas pontuais e tomadas por alguns agentes públicos, historiadores lembram que a tortura faz parte da história do Brasil, desde o descobrimento feito pelos portugueses até a atualidade. Talvez, por isso, uma certa dose de violência, principalmente praticada contra criminosos, seja aceita e em muitos casos até "aplaudida" - por parte da sociedade. Mas é preciso uma maior sensibilidade social porque a partir de um cenário como esse, também cometem-se injustiças. Inocentes acabam assumindo a responsabilidade por um ato não praticado, enquanto os culpados continuam à solta. Além disso, a tortura acaba por se perpetuar, uma vez que é de difícil comprovação e, por isso, os agressores também ficam impunes. Certamente, não é um País desejado pela maioria dos brasileiros.
A mudança desse cenário requer persistência. Apesar do temor de vingança, ainda é a melhor atitude, uma vez que a partir de investigações e punições o comportamento começa a ser modificado. Outro ponto, também importantíssimo, é o melhor treinamento e aparelhamento das polícias. Os agentes precisam estar preparados para adversidades e não devem recorrer a essa prática frequentemente. Surras e maus-tratos não podem ser considerados "métodos de trabalho". Se há pressão da opinião pública para a solução rápida de crimes, a resposta deve vir, mas não de forma equivocada ou obtida por meios escusos. A sociedade também deve pressionar e não continuar aceitando práticas como essa. A maturidade da democracia passa também pelo fim desse tipo de violência.





