OPINIÃO DA FOLHA - Sobre popularidade e competência
A popularidade de certos cidadãos, alcançada por força de programas que comandam em rádio e televisão, por atuações na vida artística ou outras que tenham relação direta com as massas, não os credencia, apenas por isso, a ambicionar cargos eletivos e funções na administração pública. Mas é comum eles se apresentarem como candidatos e elegerem-se, porque as legiões de admiradores os sufragram, imaginando que o poder que essas figuras populares detêm por trás de câmaras e microfones e sobre as ribaltas seja transferido para os cargos que venham a ocupar na vida pública. O mais frequente é que decepcionem e frustrem seus eleitores. No Brasil especialmente, os veículos da mídia eletrônica são eficientes catapultas para lançar, casas legislativas adentro, essa espécie de candidatos. Ali, por ser também um palco, eles ainda conseguem algum desempenho, pela similaridade com o que faziam antes, mas em funções executivas revelam-se no mais dos casos péssimos administradores, por incapacidade gerencial.
Para toda a função que o homem venha a exercer exige-se capacitação profissional ou graduação acadêmica, menos para o cargo público. Qualquer cidadão, medíocre que seja, pode habilitar-se a um assento nas câmaras legislativas e ao comando de governos, e ninguém lhe exige prática, nem currículo, nem ficha de antecedentes. O que passa a ocorrer é que, se eleito, ele nada sabe acerca da função que irá exercer e que é tão importante quanto as demais, com a responsabilidade adicional de que irá lidar com dinheiro do povo e com questões públicas. Prefeitos, vereadores, deputados, são guindados a essas elevadas posições e, maioria deles, mal conhecem os regimentos, têm baixa formação e caso de prefeitos cercam-se de auxiliares idênticos, porque iguais atraem iguais. Louve-se quando não descambem para atos irresponsáveis e para a corrupção. Mas não apenas eles, porque também governadores e presidentes da República, ao longo da história, revelaram-se desastrados na função, por total despreparo.
Momento chegará em que a legislação eleitoral irá exigir que o candidato a cargo eletivo tenha formação política, obtida nas academias, e apresente outros atestados, incluindo o da lisura em sua vida pessoal e profissional. Não será exigir demais, porque a ninguém é lícito, hoje, exercer uma função regulamentada se para isso não tenha se habilitado. É inconcebível essa tolerância para com os políticos. Naturalmente que há os que já chegam prontos ao poder, porém eles são ainda poucos, porque a maioria é constituída de pessoas que ambicionam apenas o cargo, ou o poder, como um rendoso emprego ou para vantagens maiores.





