A abertura de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Paraná, desta vez para investigar a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, deve trilhar pelo mesmo caminho das anteriores e não chegar, por mérito próprio, a lugar algum, a não ser o alarde que ocorrerá através dos veículos de comunicação. O noticiário diz que esta CPI tem os ingredientes necessários para esquentar o Poder Legislativo, e a pergunta que o cidadão deve estar se fazendo é se esse esquentamento não resultará apenas em gasto de energia, com a centralização da atenção dos deputados para esse assunto quando há tantas questões relevantes a examinar e discutir. Não que a situação dos portos (especialmente o de Paranaguá) não o seja, mas os problemas do sistema portuário paranaense são conhecidos, cabendo aos parlamentares não investigações mas o exame de soluções, até onde lhe compete.

A atividade da comissão começa hoje e promete se estender por longo período, porque o alvo da investigação é Eduardo Requião, superintendente dos portos e irmão do governador Roberto Requião. Os ingredientes referidos são estes, que significam um prato político e tanto. O objetivo é colocar na ordem do dia as deficiências do Porto de Paranaguá, denúncias de desaparecimento de soja e inclusive a presença de ratos vivos ou mortos em meio às cargas de grãos destinadas à exportação. Uma investigação mais da competência de agentes especializados e que, concluída, poderia então sim servir de informação e subsídio para o Ministério Público e para as providências da esfera do Poder Legislativo.

Os membros das CPIs não são plenamente isentos, até porque pertencem a partidos, e no presente caso o levantamento da realidade do porto é tarefa técnica, que incursiona também pela logística do terminal portuário e razão dos transtornos de escoamento que ocorrem com frequência, sobretudo no auge das safras. Ademais, a questão do escoadouro paranaense já é objeto de atenção também do governo federal, porque a agilidade das exportações de grãos interessa à política nacional de comércio exterior, e Paranaguá é o maior porto de embarque granaleiro do Brasil na rota dos mercados externos. Não há necessidade de uma CPI para conhecer-se as insuficiências do porto, porque elas são evidentes. O que há a fazer é buscar caminhos de corrigi-las porque o porto é rentável economicamente e se algo tenha a ver com incapacidade gerencial, o governador terá de agir, independente de quem seja o superintendente.

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