OPINIÃO DA FOLHA - Sem abandonar a administração
A participação pessoal do administrador público no processo eleitoral é pertinente ao sistema democrático, e assim tem acontecido na história da República. É, pois, consonante com esse princípio o fato de o prefeito de Londrina haver assumido o comando da campanha do candidato do seu partido ao governo estadual. O mesmo vale para seus secretários, que foram liberados, quanto à ação política, para atuar junto às respectivas agremiações partidárias nestes meses que antecedem as eleições.
Mas ocorre que, decorridos 18 meses da atual administração municipal, a população começa a cobrar resultados, do prefeito, dos secretários e por extensão também do vereador em que cada um votou. Os governos municipais são os que atuam mais próximos, fisicamente, dos cidadãos, por isso mais cobrados. Mesmo em cidades maiores, caso de Londrina, não é difícil ocorrerem encontros diretos das pessoas com o prefeito e demais agentes do serviço público. Sabem eles, portanto, que a sociedade está reclamando mais presença do poder público municipal na adoção de medidas em benefício dos cidadãos.
O prefeito, que ao assumir encontrou os cofres vazios e muitas contas a pagar, afirmou seis meses atrás que dispunha, para este ano, de um rodízio de R$ 20 milhões para investir no melhoramento urbano. Mas até agora não se viu resultados. Os moradores da área central e dos bairros reclamam, com razão, que a cidade está mal conservada. O sistema viário ainda não mereceu a atenção mínima da Prefeitura, sabendo-se que bastariam providências não muito onerosas para implantar melhorias e assim facilitar a vida de motoristas e pedestres. A CMTU cuidou de instalar câmeras fotográficas captadoras de multas, mas nenhum serviço de prevenção.
A situação da zona periférica é igualmente de abandono, sobretudo nos assentamentos, que constituem um preocupante problema social nesta cidade que, em certa época de sua história não muito distante, ufanava-se de não possuir núcleos populacionais miseráveis. Que o prefeito e os secretários façam campanha eleitoral, em favor de seus candidatos, mas que não descuidem da cidade. Passado um ano e meio de mandato, doravante a população começará a cobrar mais intensamente, porque o período de tolerância já se esgotou.





