OPINIÃO DA FOLHA - Saúde e insatisfação da população
A pesquisa de percepção da população sobre a cidade, divulgada ontem durante o Fórum Desenvolve Londrina, ressaltou o óbvio. A saúde foi apontada como o principal problema da cidade, seguida pelos buracos nas ruas e pela corrupção, respectivamente. A consulta foi feita em agosto e, em uma escala crescente de 1 a 3, as pessoas foram estimuladas a classificar a importância de cada item em uma lista sugerida. A saúde também lidera o ranking com 48,2% das lembranças quando os entrevistados citaram apenas um problema.
Não é difícil apontar o motivo da insatisfação. A crise na saúde é uma das principais mazelas do País todo e frequentemente é discutida neste espaço. São décadas de investimentos insuficientes, em um cenário que conta ainda com o envelhecimento da população, maior incidência de doenças crônicas associadas à obesidade, má alimentação e ao sedentarismo; e ao aumento dos acidentes de trânsito. O resultado não podia ser outro que não o relatado diariamente pela imprensa.
Pessoas morrendo em hospitais e unidades de saúde à espera de atendimento; pacientes sendo liberados sem o correto diagnóstico; falta de médicos e de leitos nos estabelecimentos; superlotação; demora para realização de cirurgias eletivas, exames e consultas com especialistas, entre vários outros fatores enfrentados diariamente por quem precisa de atendimento médico. Outro ponto importante é que esses problemas têm sido vivenciados também por pessoas que contam com plano de saúde, que não dependem do Sistema Único de Saúde. A crise está instalada e vivenciada por grande parte da população.
Enquanto não for tomada uma medida enérgica, que realmente pense no bem-estar das pessoas, esse cenário não mudará. O problema é muito mais complexo do que trazer médicos estrangeiros para atender a população. Ameniza, mas não resolve. A melhora depende também de investimentos em infraestrutura e, nesse quesito, não há qualquer sinalização do governo federal. No jargão popular, tapa-se o sol com a peneira. Enquanto isso, a população continua a enfrentar os mesmos problemas e a ter seus direitos fundamentais desrespeitados.





