OPINIÃO DA FOLHA - Rompendo com velhos costumes
Em meio à resistência das instituições, sobretudo das oficiais, um universo de cidadãos conspira contra o conservadorismo e práticas viciosas, e vai rompendo com velhos costumes e impondo sistemas mais adequados à necessidade e ao anseio das pessoas. Em Londrina, conforme reportagem de ontem deste jornal, escolas públicas localizadas em bairros carentes passaram a adotar metodologia inspirada na realidade dos alunos, assimilando seu dia-a-dia e avançando sobre normas convencionais. Esse processo, que emerge das bases para cima, e não o inverso como é da tradição, vem apresentando surpreendentes resultados positivos.
A última edição da Folha Rural mostra outra frente revolucionária e que foi tema de um encontro de agricultura orgânica, em Londrina. É o movimento que visa conscientizar produtores e consumidores para a necessidade de produzir alimentos saudáveis os orgânicos e mudar práticas alimentares, que evitem doenças e até estados de depressão. Pela palavra dos técnicos, ouve-se uma nova linguagem, como a de que o alimento produzido em solo puro e sem contaminação por agrotóxicos encerra 'uma vitalidade espiritual' que se transfere para quem o consome. O encontro de Londrina, que reuniu 500 participantes, aprovou propostas de expandir a produção dos orgânicos, de proibir os transgênicos, de criar leis de maior proteção ao ambiente, com menos defensivos agrícolas, de impor como obrigatoriedade produtos orgânicos na merenda escolar, enfim uma bateria de medidas para inverter o sistema hoje dominante de produzir e consumir alimentos.
Outra campanha de conscientização que vai ganhando cada vez mais força é a contra o tabagismo, já envolvendo poderosos veículos de comunicação e aos poucos obtendo vitórias, como a da suspensão da propaganda ostensiva do cigarro e a decisão de fumantes de irem abandonando o vício. São ações civis que acabam refletindo beneficamente sobre as políticas públicas, mesmo que demoradamente, eis que os males têm raízes fundas e muitos interesses econômicos em jogo. Mas gratifica perceber que, em momento de tanto temor nacional por causa da violência urbana gerada principalmente pela miséria social, movimentos afloram mudando paradigmas e rompendo tradicionalismos, na busca de reverter o quadro dos males que rondam os cidadãos. Já se tem dito que o admirável Brasil novo que todos desejam será edificado pelos cidadãos brasileiros, e por ninguém mais.





