OPINIÃO DA FOLHA - Responsabilidades da empresa aérea
Uma empresa aérea deve ter, também, responsabilidade social com as cidades, não podendo suspender vôos aleatoriamente depois que a clientela habituou-se a utilizá-los e, garantida por eles, agendou compromissos e programou sistemas de trabalho. É da livre decisão da empresa privada estabelecer onde, quando e como operar, mas há também uma obrigação ética de servir, porque ela igualmente se serve da comunidade onde se instala, e que a acolhe.
A empresa Rio-Sul não pode, portanto, suspender abruptamente áos seus quatro vôos diários na rota Londrina-Curitiba como acaba de fazer sem avaliar os prejuízos que isso acarreta à comunidade, ademais porque, à exceção de um deles, todos operavam com 70% de lotação, no mínimo.
A decisão colheu de surpresa empresários, profissionais liberais e os comuns passageiros, simplesmente alegando que a medida se deve à reestruturação da malha. A empresa já havia feito o mesmo com Maringá, tendo depois voltado atrás, pela pressão das autoridades e empresários da cidade. No caso de Londrina, há alternativas de outras companhias para vôos a Curitiba, mas apenas no período da tarde, e outra delas pela manhã mas com escala em São Paulo e encarecimento da passagem quase em dobro.
Londrina, assim como Maringá, pela sua importância e pela contrapartida em passageiros e cargas que oferecem às companhias aéreas, não podem se converter em cidades-teste para simples ''reestruturação de malha''. Tal atitude, sem razão convicente, porque os vôos são lucrativos, demonstra desrespeito, e é oportuno indagar se a empresa aérea não considera que é também um privilégio dela, para suas operações comerciais, dispor de uma praça aeroportuária do porte de Londrina.
A cidade e a região abrem seu espaço aéreo para as empresas de aviação e proporcionam-lhes retorno, na forma de passageiros e serviços de carga e encomendas, então a recíproca deve ser correspondente. É, no mínimo, uma imprevidência a atitude da Rio-Sul. O momento é de as autoridades do município e as lideranças regionais se mobilizarem, para fazer com que a companhia volte atrás em sua inesperada e injustificada decisão.





